domingo, 5 de março de 2017


Acabou de passar aqui na rua um rapaz, um menino no fim da adolescência, chorando alto, desnorteado. Chorava tão alto que eu, no quarto andar, ouvi. Olhei na janela e vi muito pouco. Minha rua é muito escura e cheia de árvores. Tem mais sombra que luz. Um minuto depois, um homem, 50 e tantos anos, entrou no bar da esquina, perguntando alto pelo filho. O dono do bar apontou a calçada em frente ao meu prédio e o homem veio andando ansioso e insensato pelo meio da rua mesmo. Minha rua tem mão dupla. Tive vontade de gritar pro moço sair da rua, que há de vir um ônibus correndo. Enquanto penso, o homem já está longe lá adiante na rua e eu não vou saber o que aconteceu com o filho dele.

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