sexta-feira, 3 de março de 2017


Moonlight me atravessou como uma flecha que perfura devagar, bem devagar.  Queria grudar Chiron menino e adolescente no meu peito e proteger. Aquela câmera sempre por trás me encheu de pavor do que poderia acontecer a ele. Quando Chiron aparece adulto, as evidências de sua heterossexualidade forjada pesam sobre mim e nos primeiros minutos só pensei " que homem, que corpo". Depois vi a pessoa delicada e macia naqueles olhos e quis abraçá-lo de novo. Li que os atores que interpretam Chiron não viram as cenas uns dos outros e tenho minhas dúvidas de que seja verdade. Mal dá pra acreditar que não sejam todos as mesma pessoa.

Soube de umas pessoas que não gostaram do filme porque todos os negros são marginalizados. Gosto do filme justamente por isso. Porque os muito pobres, os traficantes, os viciados, os favelados são pessoas com desejos, com dores, com histórias de amor. Gosto que se possa contar uma história tão bonita e amorosa sobre um homem negro que ultrapasse ( ainda que não se possa, obviamente, fugir delas) as questões raciais. Nós também temos outras narrativas. Empoderamento é importante, mas nem tudo é somente sobre a nossa cor.   


Ah: um amigo me perguntou se o moço que ganhou o Oscar mereceu o prêmio. Não soube responder na hora. Depois fiquei pensando na saudade que senti de Juan ao longo do filme. O moço do Oscar aparece por 15 minutinhos, mas a gente nunca esquece dele. Sai do cinema e ainda está pensando em Juan.

Recomendo muito o filme, como podem perceber.


***

Não entendo quem odiou La la land. Entendo não gostar, mas odiar... Um filme tão bonitinho sobre amor, sonhos e cinema. Odiar? Ah, gente...




4 comentários:

Anônimo disse...

Amo quando você escreve aqui. Beijos, Felicia

Luciana Nepomuceno disse...

tão parecida minha experiência com este filme. obrigada por escrever

Renata Lins disse...

que resenha mais legal... dá vontade de ver o filme, mesmo.

Cheshire cat disse...

A definição do Juan para "faggot". Se aquilo não é amor, não sei mais o que é.