segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D

Vi na tevê - e depois no blog da minha xará - que o  Instituto Moreira Salles decidiu fazer um evento para comemorar o aniversário do meu, do seu, do nosso Drummond ( quem não gosta do Drummond é... feio =p). Se ele fosse vivo, teria 109 anos, e eu juro que daria um jeito de caçá-lo onde estivesse só pra dizer : " Que bom que eu falo português e posso te ler". O IMS instituiu que hoje, 31 de outubro, é o Dia D, D de Drummond,e propôs que as pessoas desse mundão gravassem vídeos recitando algum poema do Carlos e enviasse pra lá pro site deles.

Eu, a pior  recitadora de poemas que já pisou no planeta ( como vocês poderão perceber no vídeo abaixo, não estou fazendo charme), fiquei acanhada de enviar vídeo pro site do IMS, então decidi que vou comemorar o aniversário do nosso Drummond por aqui no Fina Flor mesmo. Cês perdoem o meu não talento pra ler em voz alta  qualquer  coisa que seja, ouçam  o poema que escolhi e entrem na brincadeira também.





quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Você me estendia a mão, e eu percorria com o indicador cada uma das linhas da palma; linhas tão diferentes das minhas: longas, vermelhas, vincadas. Eu olhava sua palma e sabia que a mão era sua, reconhecia os pelos dos seus braços. Mais que isso: tocava aquele pedaço da sua pele como quem conquista territórios.

Há anos, em noites espaçadas, você está nos meus sonhos. Já tocou no meu cabelo e sorriu, já foi embora num trem, já morreu e me fez acordar chorando. Os sonhos dos quais você faz parte são sempre vívidos. Neles, sei da sua presença porque ela tem cheiro e textura – é uma presença tão forte que me confunde depois que acordo. Será que sonhei ou estou lembrando?

É sempre sonho. Das lembranças suas que trago comigo, nenhuma corresponde à mão que você me estendeu. A bem da verdade, mal trago lembranças. Você simplesmente se infiltra no meu cérebro, e eu me vejo obrigada a reinventar os símbolos e sinais que te cercam para que seja sempre um prazer reencontrá-lo.  Até breve.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Crianças estranhas

Meus alunos do sexto ano são muito esquisitos. E eu, pessoa normal que sou, levei muito tempo pra entendê-los. Nossas aulas não estavam funcionando, e eu ficando desesperada, duvidando da minha capacidade, querendo me jogar do alto de uma ponte. Daí que comecei a sacar qual é a desse povo do sexto ano: eles querem é exercício pesado, questões hard, tudo o que tiver de mais difícil nesse mundo da gramática.

Essas crianças são meio tradicionais, viu? Não querem saber de aula animada, de jogos, de professora explicando exercício. Sabe o que funciona com eles? Páginas e páginas de exercícios difíceis, acompanhadas da promessa de um teste. Juro! Não estou sendo irônica. As aulas começaram a dar certo depois que adotei o sistema " matéria hoje, teste amanhã". Meu colega de Ciências já havia sacado que o método daria certo, então deu a dica pros outros professores. Eu acreditei nele e tô me dando bem.

Obviamente, o que chamamos de teste não é teste. Dou os exercícios, explico bem rapidinho ( eles gostam é de descobrir sozinhos como é que se faz), eles fazem as questões, eu corrijo e passo teste em dupla com consulta e com direito a tirar dúvida com a professora. Isso não é teste,né, vocês e eu sabemos disso, mas meus alunos acreditam piamente que estão sendo avaliados e se jogam na atividade.  O que me deixa mais besta é  que TODOS sentam e fazem a atividade. Não preciso me preocupar em dividir as duplas, em mandar os mais bagunceiros sentarem, a paz reina nos dias dos testes.  E acreditem em mim: o menino mais chato, encrenqueiro e pirracento é sempre o primeiro a acabar. Melhor ainda: ele fica atrás dos colegas, enchendo o  saco, colocando pressão e, de quebra, dando uma ajudinha.

O negócio é tão sério ao ponto de uma das alunas dar gritinhos e saltinhos quando aviso que é teste. Hoje perguntei pra ela a razão de tanta felicidade ao ouvir a palavra " teste" e obtive a seguinte resposta: " Eu  amo teste, professora!". A carinha dela ao pronunciar essas palavras foi a mesma  que a  Dona Florinda faz quando vê o Professor Girafales. Juro.

P.S.: Quando eu era aluna, a palavra " teste" me dava dor de barriga.



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cronópios:esse é o meu clube


 Faça como se estivesse em sua casa

"UMA ESPERANÇA construiu uma casa e colocou-lhe um azulejo que dizia: Bem-vindos os que chegam a este lar.
Um fama construiu uma casa e não colocou azulejo nenhum.
Um cronópio construiu uma casa e seguindo o hábito colocou no vestíbulo diversos azulejos que comprou ou mandou fabricar. Os azulejos eram dispostos de maneira a que se pudesse lê-los em ordem. O primeiro dizia: Bem-vindos os que chegam a este lar. O segundo dizia: A Casa é pequena mas o coração é grande. O terceiro dizia: A presença do hóspede é suave como a relva. O quarto dizia: Somos pobres de verdade, mas não de vontade. O quinto dizia: Este cartaz anula todos os anteriores. Se manda, cachorro."


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A foto saiu fora de foco

"Um cronópio vai abrir a porta da rua e ao enfiar a mão no bolso para pegar a chave que tira é uma caixa de fósforos; então este cronópio fica muito aflito e começa a pensar que se em vez da chave ele encontra os fósforos, seria terrível que o mundo se houvesse deslocado de repente, e então se os fósforos estão no lugar da chave, pode acontecer que ele ache a carteira de dinheiro cheia de fósforos, e o açucareiro cheio de dinheiro, e o piano cheio de açúcar, e o catálogo do telefone cheio de música, e o armário cheio de assinantes, e a cama cheia de roupas, e as jarras cheias de lençóis, e os bondes cheios de rosas, e os campos cheios de bondes. Assim este cronópio fica horrívelmente aflito e corre para se olhar no espelho, mas como o espelho está um pouco de lado, o que ele enxerga é o portaguarda-chuvas do vestíbulo, e suas desconfianças se confimam e ele desata a soluçar, cai de joelhos e junta suas mãozinhas nem sabe para que. Os famas vizinhos acodem para consolá-lo, e também as esperanças, mas passa-se muito tempo antes de que o cronópio saia de seu desespero e aceite uma xícara de chá, que olha e examina muito antes de beber, não vá acontecer em lugar de uma xícara de chá seja um formigueiro ou um livro de Samuel Smiles."





(Julio CortázarHistórias de Cronópios e Famastrad. de Glória Rodriguez. RJ: Civilização Brasileira, 1983)







Cês já leram Histórias de Cronópios e  Famas? Leiam agora, leiam já. 



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O dia de hoje esteve abafado e pegajoso. E eu sentada no quarto, diante do notebook, sentindo umas gotinhas  de suor crescendo no meio das costas. Eis que em algum momento me lembro daquele degrauzinho da porta de entrada , tão perfeito pra se sentar. A casa em que moro tem um daqueles quintais grandes e arejados e  um pé de acerola enorme impede que sol escalde o chão. A tarde pode ser das mais abafadas, que não tem problemas,  meu quintal não tá nem aí. Ele é sempre fresco.

Desde que comprei o notebook, tinha  por hábito  levá-lo pro degrau da porta ( pra desespero da minha vó. Ela diz  que quem senta no batente da porta da rua recebe tudo de ruim que vem de fora. Se houver mesmo esse tudo de ruim, prefiro acreditar que ele bate em mim e se  dissipa - ou vira coisa boa.). Quando Spock veio morar aqui em casa, tive de desaprender esse hábito porque meu cachorrinho não dava paz. Ele roía o cabo do note, roubava o modem do 3g e escondia no meio das cobertas dele, achava que dava pra colocar aquelas suas patinhas de leão no teclado. Era um inferno. Ou eu tomava a  fresca , ou tomava conta do Spock. Preferi ajeitar a mesa no quarto e ficar sempre aqui, especialmente agora que não tenho 3g nem roteador. Aprendi o hábito da mesa, da cadeira, do quarto.

Mas hoje me deu vontade de sentar no batente, então peguei o note e  sentei. Um ventinho simpático veio confirmar a minha teoria de que meu quintal é um tanto especial. Fiquei um tempo digitando, digitando, até que bateu a saudade. E eu ,que nunca achei que ser possível sentir saudade de cachorro, morri de saudades. Eu quis, hoje à tarde, que o meu Spockinho estivesse por perto pra roer meu chinelo novo ou bater aquelas patonas na tela do notebook. Queria vê-lo correndo pelo quintal atrás de galhos de planta como se fossem monstros perigosíssimos. Queria  dizer, inultimente, pra ele que, se puxasse o cabo do notebook mais uma vez, eu iria prendê-lo na varanda. 

Trocava fácil a fresca do degrau pelas mordidinhas do meu cachorrinho mais gatinho!

domingo, 23 de outubro de 2011

Não existe amor pra mim

É a essa conclusão que chego. E chego a ela porque cansei de acreditar que as coisas bonitas dos filmes, que os suspiros bonitos dos livros , que as músicas de amor foram feitas para mim. Não, não há amor pra mim. Existe pra uns. Tem gente que diz saber o que é amor; eu acredito nelas. Tem gente que diz não saber, e eu também acredito nelas. Porque, de fato, há a categoria dos não amáveis, dos não amantes; eu pertenço a ela. Pra nós, aqueles pra quem não existe amor, o amor nunca vem. Pois é, não virá!

Tenho vontade de fazer uma circular, avisando para cada um dos não amantes que é melhor desistir. Não, meu bem, não vai vir. O amor não vai aparecer por mágica, não vai  tropeçar em você num dia de chuva, não vai estender a mão quando você passar distraído. Não, o amor não virá.

Já é tarde, feche sua janela, deite-se, mas não chore. Não vale a pena.

***
A Zizi está ERRADA:


Quero virar estrela também







Tô aprendendo a me apaixonar pela Bethânia. Deusdocéu.