Meus alunos do sexto ano são muito esquisitos. E eu, pessoa normal que sou, levei muito tempo pra entendê-los. Nossas aulas não estavam funcionando, e eu ficando desesperada, duvidando da minha capacidade, querendo me jogar do alto de uma ponte. Daí que comecei a sacar qual é a desse povo do sexto ano: eles querem é exercício pesado, questões hard, tudo o que tiver de mais difícil nesse mundo da gramática.
Essas crianças são meio tradicionais, viu? Não querem saber de aula animada, de jogos, de professora explicando exercício. Sabe o que funciona com eles? Páginas e páginas de exercícios difíceis, acompanhadas da promessa de um teste. Juro! Não estou sendo irônica. As aulas começaram a dar certo depois que adotei o sistema " matéria hoje, teste amanhã". Meu colega de Ciências já havia sacado que o método daria certo, então deu a dica pros outros professores. Eu acreditei nele e tô me dando bem.
Obviamente, o que chamamos de teste não é teste. Dou os exercícios, explico bem rapidinho ( eles gostam é de descobrir sozinhos como é que se faz), eles fazem as questões, eu corrijo e passo teste em dupla com consulta e com direito a tirar dúvida com a professora. Isso não é teste,né, vocês e eu sabemos disso, mas meus alunos acreditam piamente que estão sendo avaliados e se jogam na atividade. O que me deixa mais besta é que TODOS sentam e fazem a atividade. Não preciso me preocupar em dividir as duplas, em mandar os mais bagunceiros sentarem, a paz reina nos dias dos testes. E acreditem em mim: o menino mais chato, encrenqueiro e pirracento é sempre o primeiro a acabar. Melhor ainda: ele fica atrás dos colegas, enchendo o saco, colocando pressão e, de quebra, dando uma ajudinha.
O negócio é tão sério ao ponto de uma das alunas dar gritinhos e saltinhos quando aviso que é teste. Hoje perguntei pra ela a razão de tanta felicidade ao ouvir a palavra " teste" e obtive a seguinte resposta: " Eu amo teste, professora!". A carinha dela ao pronunciar essas palavras foi a mesma que a
Dona Florinda faz quando vê o Professor Girafales. Juro.
P.S.: Quando eu era aluna, a palavra " teste" me dava dor de barriga.