segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Os vizinhos aqui do lado são conhecidos por suas festas barulhentas. Minha vó e a nossa vizinha de frente adoram acompanhar todos os acontecimentos dos festejos, no melhor estilo paparazzi na entrada do casamento dos artistas. Anteontem teve festa, ninguém - nem os convidados nem nós- dormiu. Dalva de Oliveira em ritmo de funk ( isso mesmo! Bandeira branca, amor! Não posso mais), padre Marcelo Rossi, Tati Quebra-barraco, Tim Maia ( meus vizinhos são pessoas ecléticas) berrando nos ouvidos a noite toda.

Daí que ontem de tarde, minha vó foi lá na casa da vizinha de frente saber se alguma coisa legal e escandalosa aconteceu depois das 2h da manhã, hora em que a minha vó decidiu, em vão, tentar dormir. Minutos depois, volta ela, toda animada com bolo e lembrancinhas  da festa na mão.

- Juliana, olha aqui que docinhos bonitinhos!

Eu olhei e fiquei boaquiaberta.Como é que eu ia dizer pra minha vó aquilo não eram docinhos bonitinhos? O que eu vou dizer? O que eu vou dizer?

- Vó, isso aí ( eu gaguejei, fiquei com a bochecha quente, quis morrer) são pintos (sim, pênis) de chocolate. 

Ela deu uma risada.

- Eu sei. Só queria ver o que você ia dizer.

Posso com isso? Posso?

domingo, 6 de novembro de 2011

Hoje revi umas pessoas que não via há muito tempo. Elas ainda fazem parte o convívio da minha mãe, então , por tabela, nunca saíram do meu imaginário - por assim dizer, por falta de palavra melhor. Minha mãe fala da fulaninha, do fulaninho, dou risada, gosto de todos eles ainda, mas tão lá longe na vida deles e eu aqui na minha.Daí que hoje encontrei esse pessoal e eu tava assim: recém-desperta, cara um pouco inchada, olhos sumidos na cara inchada, short, camiseta, cabelo cheirando a condicionador e as mesmas argolas que uso todos os dias há anos. Cheguei,cumprimentei todos que conhecia  e parei do lado de uma das amigas da minha mãe , uma pessoa muito legal mas de quem nunca fui íntima. Parei do lado dela e disse "Oi, Fulana!". Ela , bem-educada, respondeu: "tudo bem , querida! E você? ". Cinco segundos depois, ela me olhou com mais cuidado e disse: " JULIANA! Há quanto tempo! Nossa, se eu te visse na rua, não te cumprimentaria!" E ficou me olhando prestando atenção, pra ter certeza de que não tava falando com a pessoa errada.

E eu fiquei lá sorrindo pra ela, me sentindo estranha. Como assim não me cumprimentaria na rua? Que diferença há entre a Juliana que ela conhecia e essa que eu vejo todos os dias no espelho? Vim pela rua pensando: agora, estou mais gorda e uso óculos. Bem, os óculos, pra variar, estavam em casa e a gordura não chegou a transmutar tanto assim o meu rosto. Ou será que transmutou sim e eu que não me dou conta? Se eu tivesse pintado o cabelo como eu pretendia, tudo bem, mas meu cabelo tá o mesmo. Tenho menos espinhas e mais verrugas sebáceas ( aquelas que costumam aparecer no rosto de pessoas negras que não usam protetor solar devidamente), mas é a mesma  cara, eu acho. Aí fiquei surtando aqui.

E justo nessa semana eu tava pensando numa situação vivida por uma amiga: ela foi reencontrar uma pessoa que tinha sido importante por muito tempo, por quem ela tinha alimentado mil expectativas e , ao rever a pessoa, teve a confirmação de que o  tempo e as mudanças não são inofensivos. A história da minha amiga reavivou o maior medo que eu tenho: o de me perder das pessoas, de me tornar irreconhecível ( e não reconhecer) pra quem  faz parte da minha vida. Sempre me lembro de O Império do Sol ( já viram? Christian Bale pequeno, Spielberg exercitando seu talento pra manipular nossa pieguice.), quando o menino reencontra os pais mas não os reconhece de primeira; ele só reconhece a mãe depois de tocar nela. Na verdade, vi Império do Sol há muito tempo e tenho péssima memória, portanto a descrição da cena pode não corresponder à realidade, mas o meu medo tá lá naquela cena.  

Mudanças são necessárias e inevitáveis, é óbvio É a vida,não tem jeito, não adianta a gente querer se esconder embaixo da cama e fingir que nada vai mudar. Elas acontecem até mesmo quando a gente acha que tá parado no tempo e no espaço, até mesmo pra pessoas que se esforçam pra ser sempre as mesmas. A gente pode se iludir achando que tem o controle, mas não tem. NÃO TEM. NÃO TEM. NÃO TEM. Repito pra mim mesma, pra ver se eu aprendo.


 P.S. direcionado: Pessoas que eu amo e leem este blog, por favor, nunca mudem e andem com fotos minhas no celular , para não me estranharem.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Livrinhos

Minha mãe vai me matar. Minha mãe vai me matar. Minha mãe vai me matar. 

Tudo bem! Morrerei feliz.

Quando arrumei as estantes de livro daqui de casa, fiz uma aposta  com a minha mãe, perdi e o castigo seria só comprar livros depois de comprar uma estante nova. A promessa durou duas semanas, porque fui pra Bienal e trouxe 5 livrinhos. Depois, precisei comprar a série Millennium - eu precisava mesmo, apesar de ainda não ter me animado muito pra engatar  terceiro; tava muito baratinha nas Lojas Americanas.

Também tinha prometido pra mim mesma que só compraria algum livro depois de terminar os que adquiri na Bienal. Espere a Primavera , Bandini tá pela metade; tô amando, mas vamos combinar que é um livro que deve ser lido em dias ensolarados e sob efeito de um excelente estado de humor. Não sei que nome dar à atmosfera do livro. Decadência? Melancolia? Desgraceira nossa de cada dia? É um livro cinza. De qualquer modo, não me importa se  Espere a Primavera é danado de bom. Nada me faria resistir à feirinha de livros. Existe aqui  em Nova Iguaçu e no Rio ( não sei se a  feira vai pras outras cidades da região metropolitana), uma feira de livros baratíssimos, promovida por livreiros que querem dar cabo dos seus estoques. A tal da feira roda a cidade do Rio ( sei que ela passa pelo Largo do Machado, por Campo Grande, pela Central e pela Cinelândia) e, de vez em quando, vem parar aqui pertinho de mim. Não tenho como resistir, entendem?  Passei no banco, peguei exatos 20 reais e decidi que não pagaria caro por nada. Não paguei. Voltei pra casa com:

Mistérios, da Lygia Fagundes Telles. - Li faz tempo, na época da faculdade, e não podia deixar de comprar. O exemplar em excelente estado estava saindo por DOIS REAIS. Vocês também comprariam.

Trabalhos de Amor Perdidos, do Jorge Furtado. - Vocês devem conhecer a coleção Devorando Shakespeare. Autores brasileiros bem legais pegam as peças do Shakespeare e escrevem romances inspirados nelas. Na época do lançamento, eu fiquei de olho no livro da Adriana Falcão, inspirado em Sonho de uma Noite de Verão. Não me lembro por que nunca comprei. Hoje tive de trazer o livro do Jorge Furtado; me custou 3 reais.

Bridget Jones : No Limite de Razão - Me condenem, taquem pedras, não me importo. ADORO a Bridget Jones! Vi um dos filmes ( não me lembro qual), não gostei,mas o primeiro livro me deu dor na barriga de tanto que ri. Vamos ver o segundo. Comprei por 3 reais também.

O Silêncio da Chuva, do Luiz Alfredo Garcia -Roza - Sei nada desse autor, só que ele é marido da divina Lívia Garcia- Roza e que já ganhou um monte de prêmios. Comprei, por 3 reais, pra matar a curiosidade.

Ofensas Pessoais, do Scott Turow. - Outro autor do qual nada sei. Imagino que seja best seller porque sempre vejo seus livros na vitrines com preços estratosféricos. Nunca li esses romances de tribunal. Vamos ver se fiz uma boa escolha... Esse foi o livro mais caro: 5 reais. 


Agora só preciso encontrar um lugar pra guardar minas novas aquisições, um lugar bem longe das vistas da minha mãe.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Está aberta a temporada de amigo oculto. Já participei do  primeiro sorteio. Esse grupo de amigos que já realizou o sorteio faz o amigo oculto do qual eu mais gosto. É uma zona pra organizar, escolher uma data pra entrega é mais difícil que invadir o Pentágono, trocamos 156 mil e-mails e tem sempre alguém que chega de última hora, a mas a gente se diverte tanto depois que compensa. Eu sempre ganho os presentes mais legais, por isso adoro esse amigo oculto.

Daí que essa noite sonhei com o site do amigosecreto.com, que utilizamos pro sorteio. No sonho, eu via o nome da pessoa que tirei e ficava toda feliz. Hoje, ao entrar no site pra saber quem eu tirei, lá estava a mesma página que vi no sonho. Ou seja, já posso ganhar dinheiro prevendo o futuro.

Começa assim: um dia sonho com amigo oculto; no outro, sonho com os números da loteria. Tenho certeza!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia D

Vi na tevê - e depois no blog da minha xará - que o  Instituto Moreira Salles decidiu fazer um evento para comemorar o aniversário do meu, do seu, do nosso Drummond ( quem não gosta do Drummond é... feio =p). Se ele fosse vivo, teria 109 anos, e eu juro que daria um jeito de caçá-lo onde estivesse só pra dizer : " Que bom que eu falo português e posso te ler". O IMS instituiu que hoje, 31 de outubro, é o Dia D, D de Drummond,e propôs que as pessoas desse mundão gravassem vídeos recitando algum poema do Carlos e enviasse pra lá pro site deles.

Eu, a pior  recitadora de poemas que já pisou no planeta ( como vocês poderão perceber no vídeo abaixo, não estou fazendo charme), fiquei acanhada de enviar vídeo pro site do IMS, então decidi que vou comemorar o aniversário do nosso Drummond por aqui no Fina Flor mesmo. Cês perdoem o meu não talento pra ler em voz alta  qualquer  coisa que seja, ouçam  o poema que escolhi e entrem na brincadeira também.





quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Você me estendia a mão, e eu percorria com o indicador cada uma das linhas da palma; linhas tão diferentes das minhas: longas, vermelhas, vincadas. Eu olhava sua palma e sabia que a mão era sua, reconhecia os pelos dos seus braços. Mais que isso: tocava aquele pedaço da sua pele como quem conquista territórios.

Há anos, em noites espaçadas, você está nos meus sonhos. Já tocou no meu cabelo e sorriu, já foi embora num trem, já morreu e me fez acordar chorando. Os sonhos dos quais você faz parte são sempre vívidos. Neles, sei da sua presença porque ela tem cheiro e textura – é uma presença tão forte que me confunde depois que acordo. Será que sonhei ou estou lembrando?

É sempre sonho. Das lembranças suas que trago comigo, nenhuma corresponde à mão que você me estendeu. A bem da verdade, mal trago lembranças. Você simplesmente se infiltra no meu cérebro, e eu me vejo obrigada a reinventar os símbolos e sinais que te cercam para que seja sempre um prazer reencontrá-lo.  Até breve.