Amores
domingo, 13 de novembro de 2011
sábado, 12 de novembro de 2011
My Girl
Se passar a noite de sábado com a minha amiga Vada é derrota, quero morrer perdedora:
Só a Vada me entendeu durante anos. Também já fui ao médico certa de que teria poucos meses de vida. Até os 13 anos, eu tive certeza de que ia morrer do mesmo câncer que matou o meu avô. Daí , um dia, finalmente, meu pai me contou que o câncer tinha sido na próstata.
E eu bem queria uma bicicleta com fitinha penduradas no guidom.
E eu bem queria uma bicicleta com fitinha penduradas no guidom.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Brincando de Resenhar
Enquanto lia os primeiros dois terços de Trabalhos de Amor Perdidos,do Jorge Furtado, preparava mentalmente o post animadíssimo que escreveria sobre o livro. Os dois primeiros terços do livro são tão, tão legais que você fica querendo que o trânsito engarrafe, que a amiga que marcou contigo atrase, que o sono não chegue. Estive muito apaixonada por Trabalhos até a página a 161. Muito apaixonada.O enredo do livro é livremente inspirado na peça homônima de Shakespeare. Não conheço a peça, então não sei o quanto o livro se aproxima dela. Trabalhos é narrado por Robin, o ator e diretor brasileiro desempregado que ganha uma bolsa de estudos em Nova York, oferecida por um instituto que incentiva projetos que possam atrair leitores para Shakespeare. Robin ( a explicação dada no texto pra esse nome é uma forçação de barra sem fim, mas tudo bem, dos males o menor) pretende montar uma peça cujas as falas são piadas extraídas das tragédias e comédias que o Shakespeare escreveu. É uma ideia maluca, o próprio narrador admite, mas alguém no tal do instituto aprovou o projeto e lá se foi o Robin pra Nova York estudar.
O autor do livro é o roteirista de Meu Tio Matou um Cara e O Homem que Copiava. O estilo narrativo de Jorge Furtado salta aos olhos no livro. Um narrador afiado, autodepreciativo, consciente da presença do leitor, um pouco adultescente , esse é o Robin - um bobo (em vários sentidos, de acordo até com o Shakespeare. Ele não se chama Robin à toa). O escritor sabe criar empatia entre leitor e narrador. Já no primeiro capítulo, você vira amiga de infância do Robin. Ao longo da narrativa, você tem certeza de que Robin poderia ser você. Isso porque, apesar de ser bolsista de um instituto especializado em Shakespeare e estar cercado por colegas que sabem tudo do dramaturgo, Robin não domina seu objeto de estudo, e eis uma boa sacada do livro. Trabalhos de Amor Perdidos faz parte de uma coleção em que autores escrevem narrativas baseadas nas peças de Shakespeare ( ideia boa pra caramba, né? Tô doida pra pegar Sonho de uma Noite de Verão) e a proposta parece ser mesmo a de apresentar Shakespeare prum público que não sabe muito sobre ele. Robin é um leitor apaixonado que vai apresentando Shakespeare pra nós e vamos sabendo mais sobre as peças à medida que ele próprio vai se relacionando com os colegas um tanto estranhos do instituto.Eu não sei nada de Shakespeare. Li Sonho de uma Noite de Verão diversas vezes e Otelo, Macbeth e Hamlet uma vezinha só. Dessas três, a que mais me marcou foi Macbeth, mas estou longe de saber trechos ou de lembrar de detalhes. Trabalhos me fez ter vontade de saber tuuuuudo sobre toooodas as peças. Tô aqui me odiando porque não sei onde foi parar minha edição de Otelo. Quase que peguei a versão adaptada de A Megera Domada na biblioteca da escola hoje.
Um outro ponto que adorei no livro foi a pequena ( ou grande, não sei. Vai que o cara fez um trabalho brilhante nesse sentido, e eu que não tenho estofo pra sacar todas as referências) discussão sobre as traduções das peças. O fato de não dominar o inglês constitui uma dificuldade pro trabalho do Robin, justamente porque piadas são elementos difíceis de ser traduzidos. Robin fala bastante de humor, comédia, faz muita piada de si mesmo, desmitifica personagens praticamente canonizados, brinca um bocado e a gente se pega dando risadas homéricas no metrô, na fila do banco. Uma delícia!
Então, eu gostei MUITO dos dois primeiros terços do livro. Gostei pra caramba. Aí foi chegando o final e o encanto se perdeu um pouco. Não que tudo tenha virado uma grande porcaria, longe disso. A parte final é bem legal, mas eu não entendi como o 11 de setembro e a paranoia de um casal de malucos foi parar na trama, uma abordagem exploração desnecessária de um determinado momento histórico. A mim, pareceu forçação de barra. Mas,apesar disso, não me arrependi nem um pouquinho de ler esse livro delicinha. As risadas que dei e as coisas legais que aprendi sobre Shakespeare compensaram o final.
Leiam! Leiam! Leiam! E venham me contar depois.
P.S.: E até conheci essa lindeza de música aqui :
P.S.: E até conheci essa lindeza de música aqui :
"I'll be your mirror
Reflect what you are in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you are home
Reflect what you are in case you don't know
I'll be the wind, the rain and the sunset
The light on your door to show that you are home
When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you"
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
'Cause I see you"
Update: Já disse por aqui mais de mil vezes que não sou boa com resenhas, mas dessa vez me superei. Já dei uma ajeitadinha na bagunça generalizada que aprontei no último parágrafo.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Os vizinhos aqui do lado são conhecidos por suas festas barulhentas. Minha vó e a nossa vizinha de frente adoram acompanhar todos os acontecimentos dos festejos, no melhor estilo paparazzi na entrada do casamento dos artistas. Anteontem teve festa, ninguém - nem os convidados nem nós- dormiu. Dalva de Oliveira em ritmo de funk ( isso mesmo! Bandeira branca, amor! Não posso mais), padre Marcelo Rossi, Tati Quebra-barraco, Tim Maia ( meus vizinhos são pessoas ecléticas) berrando nos ouvidos a noite toda.
Daí que ontem de tarde, minha vó foi lá na casa da vizinha de frente saber se alguma coisa legal e escandalosa aconteceu depois das 2h da manhã, hora em que a minha vó decidiu, em vão, tentar dormir. Minutos depois, volta ela, toda animada com bolo e lembrancinhas da festa na mão.
- Juliana, olha aqui que docinhos bonitinhos!
Eu olhei e fiquei boaquiaberta.Como é que eu ia dizer pra minha vó aquilo não eram docinhos bonitinhos? O que eu vou dizer? O que eu vou dizer?
- Vó, isso aí ( eu gaguejei, fiquei com a bochecha quente, quis morrer) são pintos (sim, pênis) de chocolate.
Ela deu uma risada.
- Eu sei. Só queria ver o que você ia dizer.
Posso com isso? Posso?
domingo, 6 de novembro de 2011
Hoje revi umas pessoas que não via há muito tempo. Elas ainda fazem parte o convívio da minha mãe, então , por tabela, nunca saíram do meu imaginário - por assim dizer, por falta de palavra melhor. Minha mãe fala da fulaninha, do fulaninho, dou risada, gosto de todos eles ainda, mas tão lá longe na vida deles e eu aqui na minha.Daí que hoje encontrei esse pessoal e eu tava assim: recém-desperta, cara um pouco inchada, olhos sumidos na cara inchada, short, camiseta, cabelo cheirando a condicionador e as mesmas argolas que uso todos os dias há anos. Cheguei,cumprimentei todos que conhecia e parei do lado de uma das amigas da minha mãe , uma pessoa muito legal mas de quem nunca fui íntima. Parei do lado dela e disse "Oi, Fulana!". Ela , bem-educada, respondeu: "tudo bem , querida! E você? ". Cinco segundos depois, ela me olhou com mais cuidado e disse: " JULIANA! Há quanto tempo! Nossa, se eu te visse na rua, não te cumprimentaria!" E ficou me olhando prestando atenção, pra ter certeza de que não tava falando com a pessoa errada.
E eu fiquei lá sorrindo pra ela, me sentindo estranha. Como assim não me cumprimentaria na rua? Que diferença há entre a Juliana que ela conhecia e essa que eu vejo todos os dias no espelho? Vim pela rua pensando: agora, estou mais gorda e uso óculos. Bem, os óculos, pra variar, estavam em casa e a gordura não chegou a transmutar tanto assim o meu rosto. Ou será que transmutou sim e eu que não me dou conta? Se eu tivesse pintado o cabelo como eu pretendia, tudo bem, mas meu cabelo tá o mesmo. Tenho menos espinhas e mais verrugas sebáceas ( aquelas que costumam aparecer no rosto de pessoas negras que não usam protetor solar devidamente), mas é a mesma cara, eu acho. Aí fiquei surtando aqui.
E justo nessa semana eu tava pensando numa situação vivida por uma amiga: ela foi reencontrar uma pessoa que tinha sido importante por muito tempo, por quem ela tinha alimentado mil expectativas e , ao rever a pessoa, teve a confirmação de que o tempo e as mudanças não são inofensivos. A história da minha amiga reavivou o maior medo que eu tenho: o de me perder das pessoas, de me tornar irreconhecível ( e não reconhecer) pra quem faz parte da minha vida. Sempre me lembro de O Império do Sol ( já viram? Christian Bale pequeno, Spielberg exercitando seu talento pra manipular nossa pieguice.), quando o menino reencontra os pais mas não os reconhece de primeira; ele só reconhece a mãe depois de tocar nela. Na verdade, vi Império do Sol há muito tempo e tenho péssima memória, portanto a descrição da cena pode não corresponder à realidade, mas o meu medo tá lá naquela cena.
Mudanças são necessárias e inevitáveis, é óbvio É a vida,não tem jeito, não adianta a gente querer se esconder embaixo da cama e fingir que nada vai mudar. Elas acontecem até mesmo quando a gente acha que tá parado no tempo e no espaço, até mesmo pra pessoas que se esforçam pra ser sempre as mesmas. A gente pode se iludir achando que tem o controle, mas não tem. NÃO TEM. NÃO TEM. NÃO TEM. Repito pra mim mesma, pra ver se eu aprendo.
P.S. direcionado: Pessoas que eu amo e leem este blog, por favor, nunca mudem e andem com fotos minhas no celular , para não me estranharem.
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