domingo, 22 de janeiro de 2012


Como de costume, te avistei da minha janela. Dessa vez, vi o seu rosto e me perguntei se o tempo também passou tanto pra mim também. Será que o tempo pesa sobre os meus olhos tanto quanto sobre os seus?
Tenho medo do tempo e das possibilidades implacáveis de que se reveste. Tenho medo de que o tempo seja como o mar e suas ondas, que arrastam corpos vivos e os devolvem mortos - quando devolvem, se é que devolvem. Tenho medo. Esse medo que parece maior que o meu corpo,  medo que é a corda bamba na qual me equilibro: acho que não sobrevivo ao abandono, acho que o abandono é a face oculta da  própria vida.


***

Tempo, tempo, tempo, senhor tão bonito, por favor, espere que eu invente a máquina da reinvenção. Eu quero ser a mesma e também outra, outra, outra , outra, muitas outras.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Pesquisinha informal



Ei, vocês aí, todo mundo domina as novas regras do Acordo Ortográfico?

Eu  fico aqui no mundinho de quem  tem as regras penduradas no mural do quarto e usa o dicionário SEMPRE, então acho que todo mundo respira, pisca os olhos e sabe que "onomatopeia"  não tem acento.  A cada dia descubro alguém que sabe das mudanças, mas vive como se elas não fizessem parte da vida, sabe. Uma amiga tava dizendo que o novo acordo é uma traição conosco, pessoas alfabetizadas há anos, porque faz com que nos sintamos anciões antes do tempo. Eu, por força do meu trabalho, não tenho muitas opções: um "anti-social" que me escape vira motivo de condenação, portanto já me habituei às novas regras. Consegui chegar num patamar  ( depois de muito sangue, suor e nenhuma cerveja) em que  a velha ortografia salta aos meus olhos e,em caso de dúvida, me agarro ao Aurelinho da estante ou ao Houaiss aqui no computador. Contra a  minha vontade, superei a fase do " Quero que  aquilo que a tia do C.A. me ensinou continue valendo!".

E vocês, digam pra mim sem pudores: ainda morrem de saudade do hífen de "autoescola" e do trema de"linguiça"? 

( tirinha de gosto um tantinho duvidoso, mas eu achei engraçadinha, vai! =p)


P.S.: Se alguém estiver perdido ainda, eu acho esse resuminho aqui bem útil.

No site da ABL, tem o sistema de busca no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Não sabe como se escreve uma palavra? O dicionário diz que a palavra que você quer  não existe, mas você tem certeza de que já viu em algum lugar? O VOLP pode te ajudar.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Das dores

Venho por meio deste post dizer o óbvio: dor de ouvido não é bolinho, minha gente! Todo mundo tem me dito que há dores piores, que dente inflamado é de enlouquecer, que cálculo renal te faz querer pular de um precipício. Ok, do imenso cabedal de dores que um corpo pode sentir, eu só conhecia aquela dor de gripe e cólica menstrual.  Agora já posso dizer que dor de ouvido é pior que a pior cólica que já tive. Lá pela metade  das 12 horas  de dor intensa, eu teria arrancado o ouvido fora se me garantissem que a dor passaria.

Fui na otorrino, tô tomando remédios, pnigando gotinhas. O gânglio do pescoço já desinchou, já consigo encostar no lóbulo da orelha, já consigo mastigar sem choramingar.Amém.

Obrigada pela solidariedade nos comentários do post anterior. Eu pensei assim: se o Peterson e  a Cheshire sobreviveram , eu também sobreviverei. =)

Lu Panosso, eu ia tirar o siso ontem; a dor de ouvido me salvou desse momento. =p  Que dó de você por causa do seu siso. Eu já extraí um e não tive nenhum problema. Nenhuma dor, nenhum sofrimento.



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Eu me viro bem sozinha. Não preciso que façam as coisas por mim, não preciso que tomem conta de mim,  não preciso que digam " olha, você tem que ir ao médico ver esse ouvido". Ao médico, eu vou. Remédio, eu tomo - coloco até alarme pra não esquecer a hora.

Eu levanto no meio da noite, com o ouvido ardendo de tanto doer, acho o analgésico, coloco uma toalha quentinha onde pulsa e dói, sento na cama e espero a dor passar. Analgésicos dão um jeitinho na dor, é só esperar. A médica vai me atender amanhã. Devem estar nascendo outros fungos no ouvido. A médica me avisou que fungos são bem chatos e que eu teria de ter paciência. A minha paciência é a maior do mundo.Eu me viro bem sozinha.

Em madrugadas como essa que passou, eu gostaria apenas que alguém me fizesse um chazinho de morango enquanto o paracetamol fazia efeito. Não precisava perder o sono junto comigo.Eu não seria uma boa companhia mesmo; dor no ouvido não é um bom catalisador pra conversas. Eu acharia bem bom que me dissessem assim: " se precisar, pode me chamar". Eu receberia a caneca de chá morno, daria um sorrisinho de agradecimento e seria quase feliz. Simples e fácil.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Doce Amy

Não sou fã da Amy Winehouse - e provavelmente não vou ser. Conheço somente os seus sucessos, não chorei quando ela morreu.  Daí hoje eu tava aqui arrumando a estante e esbarrei num dvd dela. Comprei pra um amigo, mas ele já tinha, então fiquei com o dvd pra mim. Estava lacradinho desde novembro e eu nunca me interessei por assistir. Acabei de ver na wikipédia que ela não gravou nenhum outro dvd.

Em geral, quando pego dvds de filmes e artistas, gosto de ver os extras antes. Extras, em certos casos, são mais legais que o conteúdo principal. No caso do dvd da Amy, os extras me mostraram algo que eu nunca pude supor a respeito da Amy: ela era um doce. Eu nunca a tinha ouvido falar, não fazia ideia de como era a aparência dela sem aquela maquiagem. Tão linda e tão doce. Ela vai contando da sua relação vital e despretensiosa com a música, ela vai movendo aquele olhos lindos, ela fala que o mais importante é que o cabelo esteja lindo e você se apaixona. Fiquei aqui sacudindo a cabeça e concordando: eu também acho que quanto mais bonito o cabelo, mais fácil fica a vida. A gente acha que fica  mais fácil.

Assisti ao documentário sem piscar e com o coração na mão.  Foi duro assistir sabendo que toda aquela doçura foi soterrada pela morte. E não me aguentei e chorei quando ela e o pai contam a história de Rehab. Não sei o que se diz do pai de Amy; no dvd, ela diz que é muito próxima a ele. Foi o pai que disse que ela não  precisava ir pra clínica de reabilitação quando a gravadora e os empresários começaram a pressioná-la. A gente pode pensar que esse cara é doido, mas quantos e quantos são os pais que se negam a  ver as verdadeiras dificuldades  dos filhos. Negam porque deve doer muito, imagino e divago. Deve ter sido muito duro pra familia dela perdê-la.

Depois do documentário, vi algumas das apresentações. Tudo maravilhoso, mas nenhuma é tão maravilhosa  quanto essa versão da minha favorita dos Beatles:




quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Me and Miss Jones

Oficialmente, estou lendo  A Peste, do Camus. Cês leram? Gostaram? Eu tô gostando muito, especialmente agora que parei de ficar comparando o livro com Ensaio sobre a Cegueira. É que há muitas semelhanças entre os  dois enredos - muitas mesmo. Suponho que Saramago, o rei da intertextualidade, tenha revisitado a obra do Camus, e o fez de um modo  bem interessante. Gosto mais de Ensaio, mas A Peste tem seus momentos de tirar o fôlego, especialmente o início.

Bem, mas um livro chamado A Peste não é exatamente uma leitura levinha, de férias na beira da piscina. Além do mais, ando tão estressada com as burocracias da vida que a desgraceira do livro tava demolindo o meu astral. Porque, gente, vou  te contar, depois da Saraiva e dos Correios, agora é o Bradesco e o sistema do meu emprego que tão cansando a minha pouca beleza. Só não comecei  a chorar ainda porque a raiva é tanta que as lágrimas até secaram. Dai que eu decidi recorrer a uma velha amiga que sempre garantiu boas gargalhadas.  Passei o dia de ontem com a minha querida Bridget Jones e seu segundo livro.



Não tenho vergonha de dizer: eu amo a Bridget. Podem tacar tomates em mim; não me importo.Tem como não amar uma  doida varrida que ferra com tudo que faz, que tem  Daniel Cleaver e Mark Darcy aos seus pés, que  acha que Colin Firth é mesmo o Mr.Darcy? Aliás, a franquia Bridget Jones, tanto os livros quanto os filmes, tem tanto Colin Firth que até dá um nó na minha cabeça. O cara é entrevistado no livro, povoa o imaginário da Bridget o tempo todo, depois interpreta o galã da Bridget, galã esse que tem o mesmo nome que aquele personagem da Jane Austen interpretado na televisão pelo Colin. Confuso? Eu também acho. Mas o que importa é que  a Bridget ama o Colin Firth e o Mark  Darcy, e eu também amo muito os dois.

Muito amor!


Ok, vocês devem estar pensando:" poxa, por que a Juliana tá falando de Bridget Jones? Estamos em 1997?" É que eu sou fora de moda mesmo. Tudo que eu adoro está lá na década de 90. Eu passo tardes e tardes assistindo Friends e Arquivo X, meu povo! Os anos 90 não terminaram pra mim. Dai que dar gargalhadas com  a Bridget  é a consequência natural desse meu gosto datado.Mas vamos parar de digressões e tentar alguma objetividade: o segundo livro da Bridget é um tantinho menos engraçado que o primeiro. Dizem que o segundo filme é bem inferior ao primeiro. O segundo livro peca um pouco por ser mais do mesmo, sabe. Até agora não entendo como ela e o Mark conseguiram melecar o " felizes para sempre " deles, e confesso que me cansei um pouco das sandices da mãe da Bridget. De qualquer modo,  Bridget é tão doida, as confusões em que ela se mete são tão despropositadas  e constantes que você não tem nem tempo de avaliar  se tudo aquilo faz sentido, se autora não tá repetindo a fórmula.

Agora, não sei se retomo A Peste ou  começo Um Dia. Tô de má vontade com Um Dia. Tenho que terminar o  livro do John Fante também, mas tô indo agora pra fila do banco e não queria levar desgraças comigo. Vou pensar, vou pensar!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sessão da Tarde

Acabo de ver um filme do Tom Hanks.  Me lembro de que eu ia ao cinema assistir, mas só foi exibido em salas distantes da minha casa e eu fiquei com muita preguiça de me deslocar até elas. Daí hoje, no aconchego do meu lar, vi  Larry Crowne.Ó, é assim:  

1-enjoadinho no início,mas depois fica bem engraçado. Larry é um ser que não existe, aquela coleguinha dele também não existe, o filme tem um climão muito Jogo do Contente, mas é engraçadinho.

2-Julia Roberts tá lá fazendo uma mulher entediada, logo não vemos muito do seu  sorriso, que é um dos mais lindos do mundo, né, gente? Gosto da Julia.  

3-E eu nunca tinha reparado na voz do Tom Hanks. Ele tem uma voz legal, né? Malditas sejam as dublagens: eu NÃO SABIA que o Tom é o  o meu a- ma-do Woody. Acabei de descobrir na Wikipedia. Em que planeta eu vivo? Em que planeta?

Mas o que eu quero mesmo dizer a respeito desse filme é  que GEORGE TAKEI está nele. Gente, George Takei! Morri! Amo tanto! Não consegui me concentrar em mais nada.

E nem ousem perguntar quem é George Takei. Ou melhor, vou dar uma diquinha só:




P.S.1:  Na verdade, o meu favorito era o McCoy. Até chorei quando o DeForest Kelley morreu.
P.S.2:  Os extras do dvd são deliciosos. Ri um bocado.
P.S.3: Aceito sugestões de filmes legais pra essas tardes chuvosas. Estou começando a questionar se moro mesmo no Rio de Janeiro. ( Fico brincando com a chuva, mas tudo o que a gente mais quer por aqui é que elas parem porque há cidades do Estado num caos total por conta delas.)