quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Para Vinícius


Passei muito tempo da vida tentando descobrir o que  faz a gente amar uma pessoa. Pra ser mais precisa, eu tentava descobrir o que justificava o amor que as pessoas me davam. Eu achava que se descobrisse resposta pra isso,  passaria a ter mais garantias. Eu me iludia achando que dá pra se tornar aquilo que as pessoas querem amar. Nos últimos anos,porém, eu cheguei à conclusão de  que amor não é equação,  não se mede em garantias, não é explicável. A gente ama porque ama e é isso.

Eu não me  preocupo se você vai me amar ou não. Também não me preocupo se vou olhar pra sua cara e cair de amores no mesmo instante. Há anos convivo com  a possibilidade de você existir e há meses convivo com a sua existência misteriosa aí dentro da sua mãe.  Dizer que gosto de você seria  uma deformação da verdade porque você pra mim nada mais é que uma coisinha que se move feito um alienígena de filme de terror na barriga da minha prima mais nova. Você é um bebê se movendo dentro da barriga de uma mulher, isso é muito abstrato e insondável. Sendo assim, me limito a dizer que gosto da   abstração que você representa.

A gente só vai se amar ou não com o passar dos anos. Primeiro , você tem que chegar no mundo, sair desse saco gestacional, depois tem que aprender um monte de coisas. Enquanto você cresce e conhece o mundo, o amor entre a gente vai se construindo - é um processo. Eu estou em vantagem nesse processo porque já sei como é amar um monte de gente e já estou predisposta a ir com  a sua cara. O fato de você ser filho da sua mãe já facilita bastante as coisas pra mim.  Ela sempre disse que nós - você e eu- nunca seríamos parentes porque nós - ela e eu- nunca  fomos chegadas aos nossos primos em segundo grau, no entanto , para contornar essa crença, sua mãe decidiu me encaixar numa categoria mais amorosa: sou sua prima em segundo grau e madrinha.  Ser madrinha significa ter direito de te obrigar a pedir a bença e ter o dever de dar presentes caros. Bem, meu caro, você tem  a sorte e  o azar nesse quesito; eu dispenso a formalidade da bença, mas  sou uma péssima presenteadora. Só dou bombas pras pessoas e tenho planos engenhosos pra você: te darei todos os livros infantis legais que existem. Sua mãe vai me odiar quando eu aparecer com  A Vida Íntima de Laura. Ela acha que eu não deveria gastar tanto dinheiro com livros, mas eu não ligo pra opinião de alguém que compra tantas Melissas.

Aliás, me deixa falar da  sua mãe. Quer dizer,  é melhor não falar muito. Essa mulher que você vai chamar de mãe é alguém que só consigo enxergar como  uma garota de 12 anos.  Falo de sua mãe pras pessoas e elas se espantam ao descobrirem que ela nasceu pouco depois de mim. Eu olho pra ela e vejo duas: a menina que ela foi e a pessoa que ela é. E não tenho muito a dizer sobre a pessoa que você vai conhecer porque nunca vi sua mãe sendo mãe de ninguém. Só posso supor que ela será bem legal contigo e desejar que você absorva um pouco da generosidade dela. Sua mãe é, de verdade, uma das pessoas mais generosas que  conheço, e a generosidade é uma virtude tão doce, eu acho. Eu queria ser generosa, mas não sou. Generosidade pra mim só funciona  na marra. Eu quero que pra você seja mais fácil.

Ah, e aqui estou eu  te envolvendo nos meus desejos, projetando em você  aquilo que eu adoraria que fosse meu. É inevitável. Você já vai chegar recebendo um monte de quereres e vai passar a vida toda às voltas com esses desejos e com outros que serão só seus. Mas isso é papo pra muitos anos lá na  pra frente. Por agora, você é só um bebê que faz os mesmos movimentos que os alienígenas de filme na barriga da sua mãe. E estou escrevendo pra você porque , de repente, me deu uma vontade de te tornar mais concreto, de te fazer meu interlocutor antes mesmo de te ver. Estou te escrevendo porque estou na dianteira naquele nosso processo amoroso. Escrever pra você é como te pegar no colo, meu bem. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cabelos, dentes e esbarros

Pensei em fazer um post contando dos dias de aflição que enfrentei enquanto meu cabelo caía sem parar. Pois é, meu cabelo, que não é de diva mas é legal ( eu gosto bastante dele), resolveu despencar todo da minha cabeça e eu já tava pronta pra raspar a cabeça. Sério, fui no salão e disse pro meu amigo e cabelereiro ( exatamente nessa ordem) que eu tava disposta a  ficar careca se fosse preciso. O  importante era que os meus modestos fios parassem de sair todos na minha mão. Bem, eu cortei metade do meu cabelo, mas tô longe de estar careca. Ufa!  E já passei a mão na cabeça umas dez milhões vezes desde que saí do salão e  contabilizei 3 fios enroscados no dedo. Todas comemora! ( eu nunca entendi esse " todas comemora", mas vou usar mesmo assim).


Well, well, well, eu disse que  esse post não seria sobre meu cabelo. Então, não vai ser. Eu pensei também em falar de mais um dente que foi tirado de mim, no entanto siso é um assunto batido e chato, né? O dente saiu em 5 minutos e eu tô aqui me empanturrando de sorvete. Que vida dura!



Acho que só me resta comentar que hoje, depois de salvar meu cabelo e arrancar um siso, encontrei numa mesma tarde um cara que costumava ser meu amigo mas que não via há 6 anos, minha chefe  e um cara que costumava ser  menos que namorado e mais que amigo. Devo ressaltar que meu cabelo tá salvo mas  não está nos seus melhores dias, a anestesia afetou um pouco o movimento da minha língua, meus chinelos não estavam muito limpos. O  cara que era meu amigo apareceu do nada e quase levou um safanão ( sou violenta?) porque chegou catucando o meu ombro ( me dá um soco, mas não me catuca no ombro!) e ficou lá me lembrando do quanto minha vida anda estagnada. Não tive como fugir da minha chefe  ( ela é legal), então fui cumprimentá-la, tentando manter ( literalmente) a língua dentro da boca. E o cara que era mais que amigo etc e tal? O sujeito apareceu do meu lado na farmácia enquanto eu comprava paracetamol, falou meu nome mais  alto do que devia e começou a tagarelar sem parar. Eu tinha me esquecido do quanto ele é tagarela, mas foi bom que  não calasse a boca porque assim não correu risco de levar umas cuspidinhas sem querer. Ele não ia querer levar meus glóbulos vermelhos de lembrança pra casa. Tenho certeza!

Pra levar na bolsa!

Há dias em que meu cabelo tá legal. Há dias em que não há um curativo na minha gengiva. Há dias em que saio de casa com chinelos limpos.Deem preferência por esbarrar em mim em dias assim, certo?

domingo, 29 de janeiro de 2012


Já inventaram coisa melhor que o amor?







As prateleiras


Eu sei que vocês são  preguiçosos e não assistem aos vídeos que eu posto neste blog, mas vou postar um vídeo enorme mesmo assim. É que eu sou uma pessoa que gosta de imitar as pessoas. 

Explico:  ali  no meu blogroll, estão umas blogueiras ótimas que fazem videozinhos sobre livros, e eu simplesmente adoro esse vídeos. Vejo todos. Gosto especialmente daqueles em que as pessoas vão mostrando suas estantes. Daí que decidi brincar de exibir os livros que acumulam poeira aqui no meu quarto. Assistindo a esse vídeo, vocês  irão se dar contar de que sou uma péssima cinegrafista, descobrirão que sou a pessoa mais pão-dura do mundo ( fiquei até com vergonha desse meu orgulho de comprar livro barato) e ficarão tentados a me dar livros de presente.





Meninas leitoras da Robin, esse sapinho que aparece aí se chama Ted Spencer!

Os blogs deliciosos sobre livros:  O Batom de Clarice, Tatiana FeltrinQuero morar numa livraria e  Isaac sabe. Tenho outros no Reader, depois coloco os links aqui ( Tô com preguiça de procurar agora). Tudo blog chique, lindo e legal! Vão lá olhar!

P.S.: Sacaram que eu evito pronunciar nomes perigosos como Atwood e Greene, né? Eu não sou boba de dar mole e falar besteira! Rá! Se alguma bobagem escapou, me avisem!


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Outra prateleira: em vez de  muquiranices, agora eu fico repetindo vezes sem fim que as capas dos livros são bonitas.

 ( em algum momento desse vídeo, eu falo " despensa" em vez de " dispensa".
Façam de conta que não ouviram , por favor!)

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Mais outra prateleira:  o vídeo mais legal. Rá! Mentira! Os vídeos são todos  iguais. O diferencial desse é que eu gaguejo mais, reinvento o nome da Meryl Streep, chamo Meia-noite em Paris de livro e tento falar "Hemingway".



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Mais um videozinho: dessa vez, perdi a vergonha de vez e acabei exibindo o meu jeitinho metralhadora giratória de falar. Um sonho: aprender a não atropelar as palavras.  Alguém tem receita pra isso?




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Mais livros sem prateleira:  como sempre, ignorem a hesitação crônica, o meu não talento como cinegrafista e toda e qualquer bobagem que eu disser.


sábado, 28 de janeiro de 2012

Encantada

Peço permissão pra voltar muitos e muitos anos no tempo e girar encantada pela sala ao som dessas lindezas:


Ariel foi a primeira a me conquistar. Me lembro ainda da primeira vez que vi o filme e do pavor que a Úrsula provocava em mim. Ainda acho a Pequena Sereia fofa, mas o encanto se diluiu um pouco ano quando li o conto original do Andersen.








Ah, posso ser presa se disser que acho o Aladdin sexy? Hum, eu tinha planos de trocar meu nome pra Jasmine.





Bela sempre foi minha favorita. Eu não tinha a fita do filme, mas minha mãe me deu  um livrinho que resumia a história e vinha com uma cassete com as canções. Dormi noites e noites com o fone no ouvido ao som de " à vontade, à vontade, prove nossa qualidade."







Eu já era grandinha quando Toy Story foi lançando, então não dei muita confiança pra ele. Precisei virar adulta pra me apaixonar pelos 3 filmes dos brinquedos mais fofos do mundo. Já perdi a conta das vezes que assisti ao terceiro.







Up é a coisa mais linda do mundo e tem os primeiros 15  minutos mais bonitos que já vi em qualquer filme. Já contei que a minha mãe queria colocar colocar o nome do nosso cachorro de Sr. Fredericksen e que meu priminho e eu adoramos reproduzir esta cena? Ahhhh, eu tenho um Livro de Aventuras só meu.


E a minha paixão mais recente:



Acho que já vi Enrolados umas 500 vezes. Em todas elas, tentei pegar uma lanterna pra  mim. Decorei as falas, sabe, e nem tenho a desculpa de que filhos/irmãos/primos que me obrigam a ver. =) Aliás, Enrolados é a razão desse post. Fui procurar um vídeo da cena das lanternas e , quando me dei conta, tava vendo a versão alemã de A Bela e A Fera.




P.S.:  Não gosto de A Princesa e o Sapo, nem de A Era do Gelo, nem  de Procurando Nemo. Bem, agora é melhor eu sair correndo antes que alguma dessas pedras que vocês vão tacar acerte em mim. Tchau!



















sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Eremita

Todos os posts que comecei  hoje estavam muito dramáticos. Eu bem que queria dizer que tô sofrendo muito, mas é mentira. Meu mal é solidão. Meu mal e minha dádiva porque tô com preguiça de gente. Não tô com preguiça das pessoas exatamente; tô com preguiça dessa minha incapacidade de lidar com elas e do meu medo de perdê-las.

Tô com preguiça de mim! Posso ir embora e me deixar aqui?