sexta-feira, 9 de março de 2012

Eu, leitora 3

Eu leio uns 3457230 blogs, mas nem sempre  leio os  posts antigos de todos. Mas aí acontece de, num dia como o de hoje em que tenho que ficar deitada com uma bolsa de gelo na cara ( leia-se: sisos semi-inclusos arrancados na marra), eu entrar num blog legal e ler TODOS os posts de uma vez.

Tão divertido! Já tô me sentindo íntima da moça que mora em Nárnia Molhada e fez bodas de Cúrio.

Cês também leem o passado dos blogs legais?

Eu, leitora 1  e   Eu,leitora 2

P.S.: Eu faltei à aula sobre períodos longos e sua  não contribuição para  a compreensão de um texto.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Perdas Necessárias

" Eles, entretanto, não estavam vivos, pensou Harry; estavam mortos. As palavras vazias não podiam disfarçar que os restos dos seus pais jaziam sob a neve e o mármore, indiferentes, inconscientes. E as lágrimas vieram antes que ele pudesse contê-las, escaldantes e instantaneamente congeladas em seu rosto. De que adiantava  enxugá-las ou fingir?  Deixou-as cair, seu lábios contraídos, os olhos fixos na neve espessa que ocultava o lugar onde jaziam os despojos dos seus pais, agora , certamente apenas ossos ou pó, sem saberem nem se importarem que seu filho sobrevivente se achasse tão perto - seu coração ainda palpitando, vivo por causa do sacrifício deles e quase desejando, neste momento, que estivesse dormindo com eles na neve."

( Trecho de Harry Potter e As Relíquias da Morte)

terça-feira, 6 de março de 2012

Eu acho que existem pessoas pelas quais a gente poderia se apaixonar. Poderia. Poderia, mas não vai. Às vezes, a possível paixão é tão evidente que a gente tem que se controlar pra não se rasgar em sorrisos  e se espatifar em ilusões toda vez que essas pessoas aparecem. Eu faço esse exercício todos os dias. Tenho na minha lista dois ou três apaixonáveis - e um favorito dentre eles. Fico bambeada pelo cheiro bom do perfume dele. Fico bambeada quando ele apresenta soluções eficazes pras minhas dúvidas. Fico bambeada porque já me disseram que eu deveria investigar por que a gente se dá tão bem.

Mas eu sei que não vou me apaixonar. Sei lá. Algo no rastro  exagerado que o perfume dele deixa no ar me impede  de me apaixonar. Algo na permanente e excessiva vontade que ele tem de resolver a vida de  todo mundo me impede de me apaixonar. Algo... algo.. alguma coisinha ali me faz ter certeza de que  poderia mas não vou.

Engraçado isso.

segunda-feira, 5 de março de 2012

2012 já é um ano diferente. Pela primeira vez, em 4 anos, não estarei numa sala de aula cheia de pré-adolescentes. Por enquanto, até que eu seja convocada para os concursos nos quais fui aprovada, estou livre do sexto ano. Quer dizer, eu ainda tenho uma turma do sexto, mas são todos alunos da EJA , então tá beleza. Só quem já deu aulas pra pessoas de 11 e 12 anos sabe o tamanho do meu alívio. Não é que eu odeie pré-adolescentes; eu gosto, eles são legais, fofos, engraçadérrimos e te fazem se  sentir especial. Ganho acenos e sorrisos toda vez que esbarro em um dos meus ex-alunos por aí. Eu gosto desse povo, só não sirvo pra ser professora deles. Não tenho perfil, não entendo como funcionam, não sei fazer com que me entendam. Além disso, doçura e paciência não fazem parte do meu cabedal de virtudes, então eu passava o tempo todo desesperada com medo de ser desnecessariamente grossa com uma criança daquelas. E uma professora medrosa é o melhor alvo de birras, malandragens, abusos e bagunças.

Com o pessoal do noturno, o papo é diferente. Para fazer a EJA, é preciso ter mais de 15 anos. Em geral, os adolescentes que chegam  nas salas de aula que frequento são aqueles que não se  deram bem no ensino regular. Não vou entrar na questão do sistema escolar e suas falhas; serei bem rasinha e ficarei no campo pessoal mesmo. Sei bem que o senso comum supõe que as turmas EJA sejam um embuste, uma piada. Já me disseram que EJA significa Esses Jamais Aprenderão. Pode ser que seja uma realidade em muitas escolas, mas na que eu trabalho não é. Eu vou ( e meus colegas também) pra escola pra dar aulas e é isso que eu faço no tempo em que estou lá. Caretice de iniciante? Não. É vergonha mesmo, vergonha de olhar pra cara de um monte de gente que tá esperando algo de mim e simplesmente tratar essas pessoas como idiotas. Tenho certeza de que se vocês conhecessem meus alunos e vissem o quanto são interessados e inteligentes, apesar dos problemas de comportamento, também morreriam de vergonha de dar uma aulinha de merda.

Esse ano, entre meus alunos, estão minha tia e uma menina que foi minha vizinha durante toda a vida. É uma experiência engraçada, mas mais engraçado é minha tia vir me dizer que os alunos da turma dela me acham muito chata. De primeira, eu fiquei chocada. Eu não sou chata, eu sou legal, e fofa, e sorridente, e alegre, e feliz, e meus amigos me amam, e as criancinhas se jogam no meu colo...  Depois,  fiquei pensando que há um lado bom nessa alcunha. Fico feliz se eles me acham chata ( e espero que sejam esses os motivos) porque toda aula relembro a lei que proíbe o uso de celulares em sala de aula, porque não admito que vão embora no meio da minha aula, porque faço milhares de trabalhos em sala,  porque não vejo graça em piadinhas homofóbicas e não tolero nenhuma delas na minha presença, porque não tô nem aí se são 21h30 de uma sexta à noite,  porque tô me lixando pro jogo do Flamengo, porque todo mundo tem que ler um livro no semestre, porque conheço as mentiras inventadas pra conseguir mais prazo pra trabalho...  Bem, é melhor parar de enumerar todas as chatices porque até eu tô me achando um saco. Sou chata mesmo, um saco e não tenho peninha dos alunos. Eles não são pessoas que precisam da minha peninha, não são pessoas que merecem  ser tratadas como se fossem a escória, sabe. 

Cara,  é tão difícil  ser chata. Por mim, eu não aparecia na escola na sexta à noite. Por mim, eu ficaria sentada de pernas cruzadas lendo o jornal, esperando a hora passar. Por mim, eu ficaria postando vídeos no facebook  do celular enquanto os alunos leem um textinho qualquer que escolhi. Corrigir prova pra quê? Lança 10 pros alunos legais e 0 pros perturbados e sejamos todos felizes. Tenho a maior preguiça do mundo. Mas aí eu penso nos alunos, nos seus futuros. É minha responsabilidade se eles  passarem pela escola sem saber as novas regras de ortografia, sem ter lido um poeminha do Drummond. Por mais que muitos deles não se importem, por mais que muitos deles desistam ,por mais que muitos deles retornem muitos anos mais tarde.  Eles sabem da vida deles, das escolhas que fazem. Eu tenho que fazer a minha parte porque eu ganho pra ensinar as novas regras do acordo ortográfico e pra colocar alguma ordem na sala de aula.

É esse o meu trabalho: ser um pé no saco, chata de galocha.



domingo, 4 de março de 2012

Da série: " Eu torço"

Torço por  um mundo com melhores amigos com a cara do Patrick Dempsey:

Torço por um mundo com vizinhos com a cara do Colin Firth:

Torço por um mundo com colegas do trabalho com a cara do Denzel Washington:


Torço por um mundo com motoristas de ônibus e taxistas com a cara do homem da minha vida Tiago Lacerda:

Torço por um mundo com vendedores de sapataria com a cara  do Rodrigo Santoro:

Torço por um mundo com dentistas com a cara do Warrick do CSI:

Torço por  um mundo com admiradores secretos  que se revelam e têm a cara do David Duchovny quando ele era o Mulder ( eu não gosto de Californication):



Torço. Torço muito. Torço fervorosamente.


( Tudo começou com a indignação que cresceu em mim ao ver o filme da Temperatura Máxima de hoje. Não acho justo que  os melhores amigos de filme sejam iguais ao galã de Grey ´s Anatomy! )

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vox

Eu tenho esse complexozinho ( é bem inho, mas tenho) com  a voz. Sempre tive. Minha voz é infantil demais, docinha demais, estridente demais. Minha voz não combina comigo.

Um dos meus esportes favoritos é confundir as pessoas que não me conhecem pessoalmente. Já perdi a conta das amigas da minha mãe que disseram assim: " Ué, é a Juliana quem tá falando?". Porque minha mãe diz pras pessoas que tem uma filha de quase 30 anos, obviamente. Aí as amigas ligam pra cá, eu atendo, digo que sou a Juliana e a pessoa fica sem entender.

Acontece muito também de eu enganar atendentes de telemarketing. Basta mudar um pouco a entonação e o " minha mãe não tá em casa " se torna muito convincente. Sou craque nessa arte de driblar atendentes de telemarketing.  Só me irrito um pouco quando ligam pra cá querendo falar com a Juliana e não se convencem de que sim, sou eu mesma.  Quer me matar? Ligue aqui pra casa e faça a seguinte pergunta: " Sra. Juliana, a senhora é maior de idade?". Juro. Juro. Juro que já ouvi essa pérola  muitas e muitas vezes. Muitas. Sério.

E tem o alunos. Além de ter voz estridente, eu falo alto. Sou daquelas pessoas cuja voz se ouve dois andares acima, que fala na sala e lá no portão todo mundo tá sabendo qual é o assunto. Eu sei, eu morro de vergonha também, mas tudo cansa nessa vida, então cansei de ter vergonha e agora rio quando alguém reclama da barulheira que eu faço. Bem, e os alunos? Vamos lá, tentem se colocar no lugar deles nos momentos em que eu me empolgo, me irrito, quero matar um deles. Não é legal ,né?

Mas eis que hoje, no fim da aula, uma aluna ( adulta ) que eu nem conheço direito ( o pessoal só começou a chegar mesmo depois do carnaval) virou pra mim e disse:

- Professora, eu tenho que te falar uma coisa. Sua voz... ( nesse momento, eu já fechei os olhos esperando a apunhalada. Toc!) Sua voz é linda. Linda demais.
- Minha voz???
- É linda, professora. E a senhora fala firme. Não dá moleza pra esses moleques ( a garotada das turmas da noite é legal, mas não é fácil). A senhora nasceu pra isso...

Bem, eu nem ouvi o resto. Saí pela porta, cantando e dançando,  explodindo de felicidade, jogando confete pelo ar. Mentira, eu agarrei a aluna e  dei um beijo de esmagar a bochecha nela. Mentira de novo. Eu agradeci, sem jeito, catei as minhas coisas e vim correndo contar isso aqui.

Ela achou minha voz linda, gente!  Acho que já sei quem tem aprovação garantida em português no fim do ano... (assovia).

P.S.: Dá pra ouvir a minha voz aqui e aqui.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Recém-nascidos: breves considerações desnaturadas

Após  21  dias de convivência ( leia-se: visitas esporádicas e ausência total durante o carnaval) com Vinícius, chego à conclusão de que recém-nascidos não são divertidos. Recém-nascidos só choram, mamam e dormem. Cadê as risadinhas fofas? Cadê as gracinhas? Cadê a adrenalina? Cadê os saltos de para-quedas?  Recém-nascidos não tão nem aí pras outras pessoas que não sejam aquela com peitos cheios de leite. Dura realidade.

Ah, outro dado importante sobre recém-nascidos: eles são mutantes. Sim, eles mudam de cara num piscar de olhos. Nascem com uma cara, dias depois já têm outra; na semana seguinte, parece que os pais trouxeram a criança errada pra casa. Ou que, de tempos em tempos, a cegonha  vem e substitui a criança, estabelecendo um verdadeiro rodízio de bebês. A cada visita, eu preciso reaprender qual é a cara do Vinícius. Árdua tarefa!

Mas o que mais me intriga nos recém-nascidos são os olhos. Primeiro: é tão difícil ver os olhos deles. Essas criaturinhas passam tempo demais dormindo ou mamando, daí que só nos resta contemplar as pálpebras. Segundo: quando recém-nascidos abrem os olhos, eles olham pro... nada. Ah, gente, que agonia! De início, fiquei toda ressabiada. Será que esse menino tem algum problema de vista, meu Deus? Será que dá pra confiar nesse exame do olhinho? Ai, ai, ai! Bem, segundo pesquisas realizadas num incrível banco de dados científicos,  o Google, parece que recém-nascidos têm olhos engraçados mesmo.Ufa! Mas vamos combinar que aquele olharzinho desfocado dá um nervosinho!

Por enquanto, é só. Em breve, publicarei novos relatórios.