quarta-feira, 21 de março de 2012

Da serventia

Houve um tempo em que eu me perguntava o tempo todo pra que servia este blog. Eu era chata, eu sei. A época do " pra que serve ?" passou rápido,e eu me contentei em continuar pensando no Fina Flor como minha janelinha virtual. Hoje, no entanto,  finalmente, descobri a real serventia desse blog. A gente tem blog, galera, só pra ter a chance de conhecer pessoas fofas como a Maeve.

Maeve e eu tentamos nos lembrar como é que a gente  se esbarrou na blogosfera. Fracassamos na tarefa. O que a gente sabe é que eu leio o Trajetória Cotidiana e ela lê o Fina Flor. Daí que um dia a Maeve disse no twitter que vinha ao RJ, eu respondi que seria legal encontrá-la. Depois de umas ligações que fizeram com que pobre da Maeve pagasse rios de Roaming e umas SMS, a gente se encontrou numa estação de metrô do Rio. Ela, toda de rosa, uma turista saltitante, do jeito que eu  imaginava. Eu, meio ressabiada, mergulhada na situação que mais me intimida no mundo (gente de internet me intimida, me deixa), mas disposta a descobrir como é conhecer uma pessoa que lê as bobagens que você escreve. Aí Maeve chegou toda animada, me ensinou o modo certo ( e baiano) de dizer o nome dela. Gente, Maeve é baiana! Sabe sotaque baiano? Então, um deleite pros meus  ouvidos! Adoro! E pronto, foi como se a gente se conhecesse há um bocado de tempo.

E é verdade, a gente se conhece. E é engraçado esse conhecer de blog, porque tu sabe de um tudo da pessoa e meio que não sabe nada. Você acha que aquela pessoa é parte da sua vida, mas nunca viu antes. É confuso, é engraçado, é legal.

Maeve e eu passamos um bocadinho só de tempo juntas, infelizmente. De verdade, eu quis que fosse mais. E agora tô aqui querendo que todo mundo que lê esse blog  e todo mundo que escreve os blogs que leio venha ao Rio de Janeiro amanhã. Venham, pessoas! E me liguem! Eu vou à praia com vocês. Bem, amanhã não dá porque tô atolada de coisa, mas semana que vem é uma boa opção.

P.S.: Maeve é um amor, gente!


terça-feira, 20 de março de 2012

Amargurices

Em geral, eu evito falar mal de quem quer que seja. Não  é que eu seja uma santa. Muito pelo contrário. Na verdade, eu só me preocupo com a possibilidade de alguém depois jogar na minha cara que eu fui injusta ( e invejosa, e intrigueira, e  rancorosa) ao emitir minha opinião. Sou orgulhosa e feia, obrigada!Daí hoje eu acordei mal-humorada, amarga, azeda e doida pra falar mal de alguém, então pensei vou escoar toda a minha má vontade no blog. Vou encarnar o espírito da Patrícia e falar mal de uma pessoas tediosas com  as quais  tenho compartilhado algumas horas das minhas semanas. Pensei até em apelidinhos pra cada uma delas, bem no estilo do Te amo, porra. Mas eu sou covardona. Vai que esse blog tem leitores em esferas mais diversas do que eu imagino. Vai que alguém se reconhece nas descrições maléficas que eu faria. Vai que uma dessas pessoas tediosas estará me esperando com uma foice em mãos na próxima vez que terei de olhar pra cada dela. Prefiro evitar fadiga. No entanto, diante da necessidade de desafogar o ódio do meu coração, farei uma listinha das coisas com as quais tenho que conviver , todas ao mesmo tempo:

1- Gente que fala difícil: Ora, eu admiro quem tem muito a dizer, sabe pra caramba, domina o mundo com as suas palavras. Sou daquele tipo que baba quando alguém que saca muito começa a metralhar todo seu conhecimento. Agora, se o sujeito fala difícil mas fala exatamente a mesma coisa que eu diria e com ares de ser iluminado pelos deuses do saber, eu fico com ódio. Primeiro porque eu  sou lenta. Sou daquelas pessoas que precisam de um tempo pra entender as coisas e têm epifanias tardias 25 horas depois que ouviu alguma coisa. Então palavras difíceis só servem pra me confundir, e eu odeio ficar confusa por causa de bobagem.  Segundo porque eu tenho inveja da pessoa que consegue se articular tão bem ao ponto de impressionar toda uma plateia impressionável, falando simplesmente um mundo de obviedades. Gente que fala difícil é detestável, mas também tem seu valor. Mas, de qualquer modo, eu odeio quem fala difícil.

2- Gente que  diz que um livro complexo, estudado e criticado por deus e o mundo, é fácil, simples e autoexplicativo:  Deus meu, a pessoa não leu o livro.Tenho certeza. E afirmo isso  porque  ninguém mandou que a pessoa ou - qualquer um  dos outros presentes- lesse o livro. Mandaram que a gente lesse uma outra coisa, um texto menor, mais simples e ainda assim cheio de afirmações complicadas. A pessoa comprou o livro porque não entendeu o que foi pedido, disse que leu sabe deus por que, e eu  fico aqui cheia de ódio porque eu falei duas vezes pra pessoa que não era preciso comprar o livro e ela me ignorou. Ignorou. Deve ser por isso que tô com ódio: detesto ser ignorada.

3- Gente que  não sabe, finge saber e depois vem perguntar na surdina aquilo que fingiu saber:  Não sabe, não entendeu, fala em voz bem alta pra todo mundo saber - ou faz que nem eu, fica caladinha e tenta deduzir qual era o nome daquela pintor do século XVII do qual você nunca ouviu falar. 

4- Gente que não sabe usar a internet a seu favor:  Mentira, eu não odeio quem não sabe usar internet. Eu não sei usar internet. Quem sou eu pra julgar alguém? Eu, que jamais usei a minha conexão velocíssima pra baixar um seriadinho sequer. Eu, que pago minhas compras com boleto bancário porque esqueci a senha do internet bank e não sei usar os serviços de pagamento seguro. No entanto, se alguém me diz: toma aqui o link que eu uso, baixa da internet, entra no Scribd,  já fiz o trabalho todo pra você,eu ouço essa pessoa. Agora me diz: o que leva alguém a se dar o trabalho de fazer as coisas do modo mais difícil? Ok, é uma escolha. Agora, o que leva uma pessoa a fazer as coisas do modo mais difícil e alardear isso como se estivesse realizando o oitavo trabalho de Hércules? Faça escolhas difíceis, mas não faça alarde por causa delas, please. Tô pensando em fazer uma camiseta com essas palavras.

É isso! Coloquei pra fora todo amargor, posso voltar a respirar, posso voltar pro trabalho chatérrimo que eu tô fazendo, posso  chorar porque tenho que conviver com gente chata em vez de só ficar perto dos meus amigos perfeitos. 

Vocês aí que leram esse post até o fim, digam que eu tenho toda a razão, que o mundo é chatão mesmo, que eu sou linda, que  o sol vai brilhar, que o  Thiago Lacerda vai bater na porta da minha casa daqui a pouco.



segunda-feira, 19 de março de 2012

domingo, 18 de março de 2012

Aquela pessoa

Eu tenho um desejo que carrego há anos. Sabe quando você entra num recinto e vê aquela pessoa sentada num canto? Aquela pessoa  com um cabelo estilosamente bagunçado, com um tênis/ sapatilha simpaticamente não muito limpo, óculos legais, um livro cuja  capa você não consegue ver? Aquela pessoa que mal respira enquanto lê, que não dá a mínima se a pessoa do lado dela tá aos berros no celular, que coça a cabeça distraidamente  e pisca ritmado? Eu queria ser aquela pessoa.

Aquela pessoa tem um ar de mistério tão fascinante. Você olha pra ela e fica imaginando que segredos traz consigo. Será que é uma agente ultrassecreta? Será que é  um príncipe se passando por plebeu, igual ao Eddie Murphy naquele filme?Será o próximo amor da sua vida? E você fica sem saber, porque não há menor chance de aquela pessoa puxar conversa contigo. Aquela pessoa nem te nota. Ela só fica lá  lendo, com aquela cara de quem sabe algo que você não sabe.

Eu tenho uma inveja danada dessas pessoas que nem Aquela Pessoa. Eu nunca sou a pessoa silenciosa do recinto. Não consigo ficar dez minutos concentrada num livro. Preciso olhar pra todas  pessoas à minha volta. Preciso perguntar pro coleguinha do lado se ele tá ali há muito tempo. Preciso reparar na cara interessante que a menina lá na frente tem,  analisar  partes do corpo - diferentes da cara ( eu reparo nos braços. E vocês?) -  dos homens que passam.   Preciso abrir um pacote de biscoito, levantar pra encher a garrafa de água, me perguntar mentalmente por que não fui na manicure naquela semana. Preciso ligar pra minha amiga que naquela hora já saiu do trabalho e tá no engarrafamento, abrir o outro livro que eu carrego na mochila mas nunca termino de ler.   Preciso levantar pra ir no banheiro e não fazer xixi nenhum porque tava com vontade mesmo é de me olhar no espelho. Preciso, preciso, preciso fazer qualquer coisa, menos ficar  sentada ali lendo um livro, absolutamente silenciosa.

Nunca ninguém achou que eu fosse uma agente secreta.Era tudo o que eu queria

Mia Couto aos pedaços

" Entre risos e lábios, se entrelaçaram. Pela primeira vez, nessa noite Modari sentiu o morder da ternura. O sabor do beijo resvala entre lábio e dente, entre vida e morte. Lâmina e veludo, qual dos dois no beijo a gente toca? Asfixiação boca a boca: isso é o beijo."

(Trecho do conto A Gorda Indiana, de Mia Couto.)


Coisa boa é esse morder da ternura.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Forever Alone Song Club

Tava aqui ajeitando a agenda do meu celular. Eu tenho 2 chips, dois aparelhos e uma agenda muito zoneada. Em tese,  posso me vangloriar de nunca usar a agenda porque sei  de cor o telefone de todo mundo - exceto o da minha mãe ( Freud há de ter uma explicação!). Acontece que ,de vez em quando, preciso ligar praquela colega de trabalho com quem mal falo e, nesses de- vez -em -quando, eu sempre me ferro porque minha agenda é uma vergonha. Há nomes repetidos, números velhos,  telefone de gente que não vejo há séculos, mas o telefone que me interessa no momento jamais está lá.

Mas hoje começa uma nova etapa na história das minhas agendas de celular. Atualizei todos os contatos, coloquei fotos em todos eles e, o suprassumo da organização, atribuí uma música a cada um dos contatos mais importantes. Uma música que me remete imediatamente à pessoa que está ligando. Foi uma tarefa divertida. Tem de Adele a Nelson Gonçalves, passando por  Gaby Amarantos. Devo registrar, no entanto, uma frustração. A música que mais tenho ouvido ultimamente, aquela que cantarolo no chuveiro num inglês sofrível demais,  ficou sem dono:


"Open up your eyes, then you'll realize/ Here I stand with my everlasting love"

Agora, pior que a frustração de não poder atribuir essa música a nenhum dos meus contatos foi o choque de ver  esta versão:



Tem também esta daqui,  daquela banda da qual tento - sem sucesso-  gostar :

Deus me proteja da fúria dos fãs do U2, mas não rola, gente! Só gosto um pouquinho de Beautiful Day.


E a versão original, segundo a Wikipedia:
Curti!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Tatiana S. Levy aos pedaços

"Quando ela surgiu, foi como se Fred Astaire ganhasse sentido.(...) Pudesse,eu congelava tudo, Copacabana inteira, para ouvir Marie- Ange cantar, para  vê-la  dançar. Pudesse, eu, que não sei  cantar nem dançar,  cantaria e dançaria com ela. Sempre me pareceu  que a vida deveria ser um musical: quando estivéssemos tristes começaríamos a  cantar, e a dor se esvairia. quando estivéssemos felizes, começaríamos a cantar e seríamos ainda mais felizes ainda. Uma suspensão na vida, como o fundo do mar."

Trecho de Dois Rios, de Tatiana Salem Levy



Porque legal mesmo é ler dois livros bons pra caramba ao mesmo tempo. Deliciosa alternância