Ontem, na fila do banco, eu prestava atenção na conversa de duas meninas. Adoro prestar atenção na conversa alheia em lugares públicos. É divertido. Uma delas tava se lamentando por causa das agruras dessa vida de "single lady". Aí a outra resolveu incentivar a amiga a entrar nesses sites de namoro e casamento da vida. A incentivadora dizia: " Entra num site de namoro. O único jeito de namorar hoje em dia é pela internet. Tem uma menina no trabalho que vai casar com um cara que conheceu na net. É uma história legal..." Eu, ali ouvindo, doida pra dar minha opinião na história. Mas como sou educada, fiquei quieta e continuei prestando atenção no papo que depois tomou outros rumos. Já que não dei pitaco na conversa, vou contar minha breve experiência num desses sites pra vocês. Sentem aí, que lá vem adrenalina, romance e emoção!
Foi assim: minha amiga, que acha que eu sou mais ousada que ela, veio pra cima de mim com um papo de que ela queria se inscrever num site de namoros, mas que não tinha coragem. Coragem, pra que coragem? Vai lá, minha filha, se inscreve e me deixa quieta no meu canto. Mas minha amiga é uma sujeita esperta e sabia que não poderia plantar a sementinha da curiosidade nessa minha cabeça de melão sem arcar com as consequências. Passei um tempo dizendo que nem morta exporia minha imagem num site desses, que nem sob tortura preencheria aqueles formulários bestas, jurei por todos os anjos do céu que jamais trocaria e-mail com um desconhecido. Rá! Entrei num famoso site de namoro antes da minha amiga!
Saquei uma das milhares de fotos em que apareço de óculos e chapéu ( o nome disso é disfarce), me armei de um monte de palavras espirituosas pra escrever meu perfil, mirei no príncipe encantado ao indicar as características que me atraem num homem e , pronto, assinei meu passaporte pro amor virtual. A primeira semana no site foi bem morna. Nenhum recado, nenhuma visualização de perfil, e eu sofrendo com a impossibilidade de julgar o nível de charme, garbo e elegância de um moço através de uma única foto ( o meu plano era o gratuito). A segunda semana foi bem mais movimentada.Recebi vários recados no meu e-mail, alguns deles inesquecíveis:
- houve o cara que me chamou de bonitona da Baixada Fluminense. Ok, eu repito: o cara me chamou de bonitona da Baixada Fluminense. Sem mais!
- um outro era português e me mandou um recado em inglês. Preciso dizer alguma coisa mais? Ah, sim ele deixou claro que tinha grana e propôs que eu fosse a princesa do castelo dele. ( Esse era o favorito dos meus amigos!)
- houve também aquele que enviou o número do telefone, telefone do hotel onde se hospedaria no Rio pra uma viagem de negócios e meia dúzia de palavras deixando bem claro que não queria saber de virtualidades.
Mas a cerejinha do bolo, a picanha do churrasco, a última gota de fanta laranja gelada num dia de sol em Copacabana foi o moço que eu adicionei no MSN. Eu já estava meio desconfiada de que não teria muita sorte no site, mas imaginava que nada poderia ser pior que os recados engraçados que chegavam no meu e-mail. Adicionar um cara no MSN não me mataria, né? Já que ele tava ali no MSN, aproveitei pra puxar papo. Eu falava, ele respondia com monossílabos. Eu falava, ele levava mil anos pra responder. Até que um belo dia abro o hotmail e encontro lá um e-mail do sujeito. Oba, um e-mail! Nenhuma mensagem no corpo do e-mail; apenas um arquivo em anexo. Um arquivo de foto. Sim, eu abri. E lá estava, em close e em toda sua glória cabeluda, a bunda do rapaz. Sim, a poupança, os fundos, o traseiro do rapaz.
E foi assim que eu desisti de todo e qualquer site de namoro.
( Mentira! Eu entrei num outro site de namoro, mas, depois de responder aquele questionário hediodamente chato, recebi uma mensagenzinha que deceparia minha última esperança de um casamento virtual. O site me disse que eu pertencia à parcela de pessoas pras quais eles eram incapazes de encontrar a alma gêmea)
Traseiros são legais, mas aqui onde eu moro é mais habitual conhecer o rosto da pessoa primeiro.
Traseiros são legais, mas aqui onde eu moro é mais habitual conhecer o rosto da pessoa primeiro.
