segunda-feira, 16 de abril de 2012

De quando você só quer deitar no tapete da sala, em posição fetal, e não levantar nunca mais.


Tá certo que o "nunca mais" vai durar até o momento em  que o estômago começar a doer de fome, ou o telefone tocar, ou  o arroz queimar no fogo, ou dar a hora de ir pro trabalho, ou chegar aquele e-mail que você tanto quer, ou a coluna latejar. Mas  o que vale é a intenção.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Eu não precisava falar

Eu estava numa fila de espera, ouvindo Jamie Cullum e lendo Precisamos Falar sobre Kevin. Na verdade, o mp3 tava ligado só gastando bateria do celular porque Precisamos Falar  é um livro que exige atenção total, que te puxa pra dentro dele e te faz esfregar a cara naquilo que a Eva conta. Estava eu na fila, na minha, lendo, quando a mulher na minha frente virou do nada e disse: " Ah, esse é aquele livro em que XXXX. Eu já li." JURO! A mulher me contou aquilo que todas as resenhas se preocupam em  não revelar, aquilo que nunca me passou pela cabeça, aquilo que me pareceu um soco no estômago. Quem leu o livro sabe do que eu tô falando. Na hora, me deu uma vontade de xingar a criatura boquirrota, mas acho que o meu olhar de desagrado teve efeito melhor. A mulher deu um sorriso apagado e voltou a tomar conta da própria vida.

E eu fiquei lá chocada! O danado do fim desse livro é qualquer coisa de aterrador. Eu não queria acreditar. Destituída da possibilidade de ser surpreendida pelo texto, fui ler o final. Antigamente, eu sempre lia os finais dos livros antes de começar a leitura. Era mais forte que eu. De uns tempos pra cá, sem perceber, larguei dessa prática. Em nenhum momento ao longo das 200 páginas que li antes da intromissão da vizinha de fila, senti necessidade de ler o final de Precisamos. A gente já começa o livro sabendo que crime Kevin cometeu, a gente já sabe que Eva é um mulher consumida por culpa e por dor. No entanto, o livro é capaz de  te surpreender a cada virada de página. Eu passei o tempo todo me perguntando se eu conseguiria ficar mais chocada e assustada do que estava. Precisei parar a leitura em vários momentos porque meu estômago parecia que ia ficar do avesso. E sim, eu ficaria muito mais chocada porque nenhuma das cartas que Eva escreve ao pai do Kevin consegue ser mais  chocante que a última carta. 

Saber o final de Precisamos Falar sobre Kevin antes de terminar de lê-lo acabou servindo de estímulo para que eu lesse mais rápido, pra que eu devorasse aquelas cartas. Li as 200 primeiras páginas com um entusiasmo meio claudicante. Houve momentos em que fiquei de saco cheio da Eva, do seu tom amargo, do tom autodestrutivo dos seus atos e discurso. Não entendia como ela era capaz de escrever pro pai do Kevin, um sujeito obcecado pelo ideal americano de família feliz, um babaca. Eu não sabia quem me despertava mais raiva: se o Kevin,  a Eva ou o idiota do Franklin. O livro me dava agonia: eu queria ler, mas não queria; achava o texto ótimo, as ficava enfastiada por ele.

Ao ler a  última carta - e ler as páginas que me faltavam pra chegar até ela,-, descobri que minha raiva constante não era direcionada aos personagens , nem à pessoa que escreveu esse livro. Na verdade, eu me vi aterrada pela pavorosa constatação de que a eternidade daquele filho era um fardo aniquilante. Kevin parece personificação dos nossos medos mais profundos: o da rejeição e o da impossibilidade de se colocar um fim no sofrimento.

Um livro que te deixa sem palavras e sem fôlego. Um livro que eu escolho não reler.


P.S.: Mas tô louca pra ver o filme.




terça-feira, 10 de abril de 2012

O problema

Uma amiga da minha mãe que não vejo há uns dez anos liga aqui pra casa e eu atendo. Cumprimento vai, cumprimento vem, ela pergunta:
- E aí, Ju, casou?
-Não.
-Tá noiva?
-Não.
- Mas tá namorando,né?
- Não!
- Caramba! Você quer ficar solteirona que nem eu?



A solução


 Dois dias depois, Paulo Victor vira pra mim do nada e pergunta do nada:
- Você tem namorado, Ju?
-Não. Pra que você tá perguntando isso?
- Você pode namorar o Luan Santana. Você  encontrou com ele no aeroporto. Já pode namorar ele.




A saber: Paulo Victor AMA o Luan Santana. E não é amor de gostar das músicas porque , aos 6 anos, o menino tem todo um gosto musical moldado pelo Discovery Kids. Paulo Victor é fascinado pela figura do Luan Santana.  

Eu, de fato, vi o Luan no aeroporto, cercado de meninas gritadoras e fiquei com uma certa peninha do rapaz. As garotas se penduravam nele como se ele fosse um daqueles paus de sebo de festa junina. Fiquei com medo de que o  rapaz partisse ao meio. Um amigo aproveitou o momento e tirou uma foto de Luan. Eu mostrei essa foto pro Paulo Victor. Foi um momento de glória pro menino, e agora eu tenho de cumprir uma promessa: quando eu vir o Luan de novo, terei de dizer pra ele que o Paulo Victor gosta muito dele.
Eu não sei onde e quando li um texto que falava sobre permissão pra gostar das coisas. Não lembro bem qual era o conteúdo, não tenho ideia de quem escreveu ( eu sou ótima, eu sei!), mas fiquei com a expressão "permissão pra gostar" na cabeça. E é isso mesmo, né?  A gente não pode gostar de sertanejo porque é brega, não vai a show de pagode porque é cafona, não dança funk porque é música da favela, não ouve rock porque frequenta rodas de samba. Frescura, tudo frescura!

Eu me permito gostar. Ignoro as caras feias e digo mesmo que lamento o fim do Exaltasamba (dei mole e não fui a um dos milhares de shows de despedida deles) e suspiro loucamente pelo Thiaguinho. E mais, estou há dias ouvindo sem parar essa daqui:


domingo, 8 de abril de 2012

Click

Tenho cá minha política de não postar fotos minhas ou das pessoas de quem falo aqui no blog. Sou paranoica! Penso logo na possibilidade de um serial killer,com uma quedinha por blogueiras,vir atrás de mim assim que eu exibir minhas fotos glamourosas.Continuem me amando, por favor! Mas hoje me deu uma vontade danada de mandar a paranoia pras cucuias e mostrar  pra vocês uma foto linda com duas crianças frequentadoras dos posts do  Fina Flor. A vontade veio mas passou, porque a mãe de uma das crianças não gosta de colocar fotos do menino na internet. Vontade de mãe foi feita pra ser respeitada, né? Com isso, vocês deixaram de ver a carinha de Vinicius e Paulo Victor. Mas não tem problema. Descrevo a foto pra você:

Vinícius é o bebezinho, com cor de pãozinho de canela e uma boquinha marrom. Todo mundo tenta fazer com que ele saia com uma carinha simpática nas fotos, mas  Vinícius não está interessado em simpatias; ele franze as sobrancelhas, olha intrigado praquelas pessoas que espocam luzes na cara dele. Vinícius não tem interesse em ser um bebê fofo. Dane-se o mundo! Ele só relaxa o cenho quando o pai dele fala, aí sim e arregala olhões e acompanha aquela voz que o chama de " filhão bonitão do papai". Aliás, os olhões de Vinícius são de deixar a gente boquiaberta: enormes, escuros, brilhantes e sérios. Os olhos da mãe. Vinícius é a cara da mãe. Chega dar nervoso. Ele tem a cara da mãe, a marra da mãe, aquelas sobrancelhas franzidas são iguais às da mãe; as bochechas também foram determinadas pelo cromossomo X.

Paulo Victor já foi um assíduo frequentador do Fina Flor.  Ao longo desses anos, eu registrava as coisas engraçadas que ele dizia. Nossa, e ele dizia coisas que rendiam risadas por dias. Eu ainda rio só de lembrar do dia em que ele me contou que a professora dele tinha virado uma galinha. Mas Vitucho cresceu ( ele cresceu, mas o apelido permanece. Ele faz questão de que eu o chame assim, acreditem!), agora tem 6 anos, passou da fase das absurdices. Paulo Victor agora diz coisas muito coerentes. Hoje mesmo ele quis saber por que uma coleguinha tinha um olho que "olhava pro lado errado". A mãe dele explicou mais ou menos o que era estrabismo, e ele ficou muito decepcionado ao descobrir que o modo de olhar da menininha era um problema. " Eu gostei do olho dela. É maneiro. Mais maneiro que o meu, que é igual ao de todo mundo." E ele diz coisas assim com um jeitinho que quase cai no estereótipo do carioca marrento. 

Na foto, Paulo Victor é o menino alto, de pernas compridas, tronco da cor que se fica quando se passa tardes e tardes na piscina. Ele não está sorrindo. Vitucho não é de sorrir em fotos. Aliás, ele nem é fã de posar pra elas. Não gosta de ficar parado esperando pelo flash. Ele prefere correr pelo quintal, testar minhas habilidades de goleira e tentar me dar " balãozinho", jogar video game, soltar as pipas que nunca consegue colocar no alto, assistir mil vezes ao mesmo desenho. Paulo Victor também tem olhões. Dizem até que os olhões dele são iguais aos da mãe do Vinícius. São parecidos sim: o mesmo tom fechado de castanho, o mesmo formato amendoado. Mas Paulo Victor tem nos olhos algo que é só dele. Eu não sei o que é, não sei definir. É algo que dá vontade de encará-los eternamente.

A foto é tão bonitinha, gente!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Óculos meus

Em tese, uso óculos há dez anos. Em 2002, uma dor de cabeça me obrigou a entrar no consultório do meu oftalmologista. Saí de lá com um diagnóstico: 0,5 grau de astigmatismo no olho direito, 1 grau no esquerdo. Na época, fiz uns daqueles óculos sem aro na esperança de que esse tipo de armação me desse a sensação de não ter nada na minha cara. Ledo engano. Odiei aqueles óculos todos os dias durantes os 2 anos que eles duraram. E, quando eles quebraram, pra minha grande alegria, decidi que ignoraria o astigmatismo.Tive sucesso por quase cinco anos.

Mas o astigmatismo é um algoz imperdoável ( percebam a seleção vocabular). Há uns dois anos, a maldita da dor de cabeça voltou bem implacável, e lá fui eu visitar o Dr.Goulart . Oito anos depois, eu já não era a pós-adolescente de 2002, e não sobrara um fio de cabelo preto sequer na cabeça do médico. Ele olhou a minha ficha, que agora aparecia num programa de computador mais moderno ( mas o computador ainda era o mesmo), e quis saber por que eu tinha me mantido tão distante. Gaguejei, ruminei, quase chorei; acho que o doutor imaginou que todas aquelas  manifestações eram  somente provas de saudade e resolveu passar pro exame. Primeiro, aquele maldito exame da pressão ocular. Odeio, odeio, odeio, odeio! Quem pode ser feliz recebendo um ventania bem dentro do olho? Depois, o exame com aqueles numerozinhos e letrinhas.  Tenso, muito tenso!  Olho praquelas letrinhas e esqueço que fui alfabetizada. Minha estratégia é recorrer a afirmações positivas e repetir mentalmente: eu tô enxergando, eu tô enxergando, tô enxergando. Sim, eu enxergo as letrinhas, mas nem tanto. O pequenino mas considerável déficit de visão está lá e eu ainda preciso das mesmas lentes pra ver o mundo tal como ele é. O astigmatismo, como sempre,venceu a batalha.

 Nos últimos dois anos, venho usando uns óculos bonitinhos. Meus óculos são bem simpáticos e ficam bem na cara de qualquer um. Levei 3 minutos pra decidir por ele e não posso reclamar: minha armação é levinha, tem o charmezinho de ganhar um brilhozinho sob a luz do sol. Vejam bem, eu gosto dos meus óculos, preciso deles, mas os trato como aquelas pessoas que não sabem dar valor a quem tanto lhes faz bem. Não uso meus óculos o quanto deveria, largo os coitados pelas estantes e pias  da vida. Dia desses, eles passaram dois dias na casa da minha prima sem que eu sentisse a menor falta. Como sentir falta de lentes sujas onde os cílios cadentes teimam em grudar? Como sentir falta daquele suorzinho que surge naquele ponto do nariz onde a armação se encaixa? Eu não sinto.

Daí ontem, comecei a rever minha postura nessa relação. Voltava eu de táxi pra casa, de madrugada, tagarelando com o taxista simpático. Eu tava toda feliz porque ele conhecia o caminho da minha casa, então relaxei. Mas o cara não lia mentes, né, então eu tinha que dizer pra ele onde era minha casa. Tudo começou a ficar nebuloso quando não consegui perceber onde terminava o muro do condomínio da esqina e começava a rua de casa. No entanto, tensão, desespero, medo, pânico vieram todos de uma vez quando o carro parou em frente da casa que eu disse que era a minha. Eu paguei, agradeci, desci do carro e ... epa, essa não é a minha casa. Eu tava em frente à casa do vizinho, uma casa muito diferente da minha, um portão muito diferente do meu. O taxista ficou esperando que eu entrasse e eu lá fingindo que procurava onde estavam as chaves. Ele me deu um aceno de cabeça simpático que interpretei como : " Tadinha, tá muito mal essa daí!" e foi embora. Eu aproveitei a deixa e corri pra minha casa, dois portões mais adiante, querendo gritar pro taxista que eu não bebo, que bebi duas latinhas  deguaraná antártica, que tudo aquilo era culpa do astigmatismo, que , se a noite estivesse mais clara e o vidro do carro não fosse filmado, eu não estaria ali na frente do portão do vizinho.

Bem,  neste momento, enquanto escrevo, estou com os meus amados óculos bem em cima do nariz, pedindo a eles que me perdoem por tantos  anosde displicência, prometendo ser mais fiel e dedicada ao nosso relacionamento. Tô devotada também ao meu bom e velho astigmatismo, satisfeita com  a sua habitual companhia, desejando ardentemente que a hipermetropia ou a miopia não se atrevam a chegar.

Minha nossa senhora dos odiadores de óculos,  tenha dó de mim.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Livros, prateleiras e videozinhos caseiros.

 Há um tempinho, eu postei uns vídeos em que mostro os livros que tenho na estante. Cês viram? Coloquei todos eles neste post aqui. Hoje, aproveitando o feriado que chegou mais cedo pra mim ( trabalhar em escola é o paraíso),  gravei mais um videozinho. Deem uma olhada lá!

Ah, e aproveitem pra espiar as estantes da Deise, do blog Sete Faces. Eu já anotei aqui uns dois livros que ela tem e que eu pretendo ter também.