quarta-feira, 16 de maio de 2012

Chuchu

Vinicius tem 3 meses e  9 dias e é lindo. Um chuchu. Tento chamá-lo pelo nome dele, mas chuchu é a primeira palavra que me ocorre quando olho pra carinha dele. Chuchu, Chuchulino, Chuchubazento ou simplesmente Chuchu com Batata. O bom é que ele não tem a menor ideia de que estou associando a cara dele a um legume sem graça nenhuma. Quem nesse mundo gosta de chuchu?

E nessa de chamar Vinicius de Chuchu, acaba que todo mundo vira Chuchu também. Antes, as pessoas legais eram " meu bem". Agora, "chuchu" me escapole aqui e ali sem querer. Nessa de escapulir, apertei a mão do moço simpático da ótica que aturou minha vó na saga por óculos que não a deixassem com cara de coruja ( palavras dela) e disse: " boa tarde! Obrigada, Chuchu!". Onde enfiar a cara depois dessa?

domingo, 13 de maio de 2012

Genealogia


Toda uma vida como filha única me deu perspectivas que somente uma pessoa que não tem irmãos é capaz de entender. Quando criança, os filhos únicos são perseguidos porque se encaixam na categoria dos que, supostamente,foram abençoados com a felicidade suprema.  Irmãos são os representantes da Frustração, da Injustiça e da Disputa na terra; não tê-los, te torna um ser especial. As outras crianças têm a certeza absoluta de que a sua vida é melhor, que suas dores e lamentações são infundadas, que seus presentes são mais legais porque, afinal, papai e mamãe são só seus.

Conforme os filhos únicos vão crescendo, suas credenciais vão perdendo o valor distintivo e passam a ser apenas uma característica. Vez ou outra, suas colegas adolescentes podem lamentar o fato de você não ter irmão mais velho para que elas possam cobiçar, mas a hostilidade da infância não entra em pauta. Adultos, os filhos únicos e os filhos que compartilham os pais com outros filhos quase se igualam. Quase.

Eu não tenho irmãos, logo não terei sobrinhos. Não, não adianta dizer que vou ficar pra tia. Por virtude do nascimento do Vinícius ,as pessoas querem sempre saber se não sinto necessidade de filhos. Eu respondo que não, para o desespero dos que sabem o ano em que nasci. Aos 27, meus óvulos são taxados de ultrapassados, coitados. A pergunta mais assertiva a ser feita seria: " Você não sente falta de sobrinhos?". Aí eu diria aquele "sim" desejoso.  Sim, quero o que não posso ter. Porque sobrinhos de marido devem ser bem legais, filhos de amigos são crianças que você ama implicitamente, mas essas criaturinhas não  podem te dar a experiência de conhecer alguém que é filho daquela pessoa que cresceu no mesmo útero  ( e incluo aqui os úteros simbólicos) que você. Taí algo que um filho único nunca vai entender.

Adulta, tenho a apresentar apenas uma geração de primos pequenos, dois meninos e uma menina que está por vir. Primos pequenos costumam confundir a cabeça das pessoas ( todo mundo para pra montar mentalmente a minha ávore genealógica) , e , não, não dá pra transformá-los em sobrinhos fake. A bem da verdade, todo esse papo serve apenas pra  alcançar uma questão mais complexa. A menina que vai nascer muito em breve é filha da minha afilhada.  Nasci dez anos antes da minha afilhada e , por conta disso, nunca fui uma madrinha tradicional, mas, de qualquer modo, sei que a madrinha é uma mãe stand-by. Pois bem,  lanço, então, minha dúvida: se a minha filha stand by vai ter uma filha, isso signifca que em breve serei "vó-drinha"? Eis uma questão encafifante, não acham? Me deem uma equação com logaritmos e números complexos que eu resolvo mais rápido.

Tudo seria mais fácil se eu tivesse irmãos. Tenho certeza.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Filho e o @mor

Eu tenho uma obsessãozinha: o serviço de rastreamento de pacotes dos Correios.  Se tem alguma coisa a caminho da minha casa, estejam certos de que  estarei, todos os dias, duas vezes ao dia, no site dos Correios checando por onde anda o meu pacote. Hoje mesmo, já entrei lá . Há dois livros vindo pra cá, e eu gosto de achar que tenho controle sobre eles. Aliás, tenho usado bastante o rastreamento dos Correios nessa semana. Comprei pra minha amiga um exemplar de @mor e, pra mim, O Filho de Mil Homens. O primeiro é um livro delicioso, viciante, que te  faz querer que o metrô entre em pane só pra que você fique presa lendo. O enredo é simples : uma mulher envia um e-mail para o endereço errado, o destinatário do e-mail errado responde e , plim!, começa a relação de amor virtual mais maluca que eu já vi. Os protagonistas dessa história são dois doidos, te contar! Muita maluquice mesmo! Tive vontade de virar personagem só pra dar um soco nos dois! Vale a leitura! Já o outro livro merece uns parágrafos só pra ele, então vamos lá pro próximo parágrafo. 

(Antes do próximo parágrafo, a capa de @mor.
 Em Portugal, traduziram o título original, em alemão, como Quando Sopra o Vento Norte. Lendo o livro, esse vento norte faz todo sentido, mas eu adorei o título brasileiro.)


Estava lendo displicentemente a Bravo! desse mês, mais precisamente a reportagem sobre os novos nomes da literatura portuguesa, quando me deparei com essas palavras:

" Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho(...). Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas."

Eu pre-ci-sa-va ler o livro que começa com palavras assim. Eu precisava muito. Larguei a revista de lado, entrei no site da Travessa ( comprem na Travessa, galera! Se der algum problema no seu pedido, uma moça esperta e fofa te atende por TELEFONE e resolve tudo. Confiem em mim!) e comprei O Filho de Mil Homens. Não quis saber quem era o autor, o Valter Hugo Mãe (ó o nome do cara!Rá!), não quis ler resumos e críticas sobre o livro. No fundo do meu coração, eu acreditei que Filho de Mil Homens seria um livro que me mataria de tanta beleza, portanto tratei de esperar que o carteiro viesse me entregá-lo. Bem, neste ponto do post, devo acrescentar que o fato de eu esperar o livro pacientemente se deve, em parte, à pessoa que traria os livros até mim. O carteiro aqui da rua, gente, é fofo! Fofo mesmo! Simpático, sorrisão, voz bonita. E eu morro de paixonite toda vez que ele chama o meu nome lá no portão. Um carteiro fofo torna a espera pelos pacotes menos dramática, eu acho. Bem, minha espera foi recompensada: o carteiro sorriu pra mim, e Filho de Mil Homens é um livro lindo.



Bem, quando falo que o livro é lindo, estou me referindo à única beleza a que tive acesso até agora, a beleza física. O livro é da Cosac Naify, aquela editora dos livros visualmente lindos, portanto   Filho de Mil Homens é um deleite pros olhos. Capa linda, miolo lindo, cheiro bom. Toda beleza do mundo. Tô apaixonada!Tô o cúmulo da superficialidade, julgando o livro pela capa! Do texto, só conheço os parágrafos  da primeira página. Bem, são parágrafos lindos também! É tanta beleza, tamanha é minha paixão à primeira vista que tô com medo de me decepcionar com os outros parágrafos. Não vou ler. Vou pendurar o livro no teto do meu quarto e olhar pra ele toda noite, antes de dormir.





quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um Dia

Quero registrar  aqui que vi Um Dia e deixar um lembrete pra mim mesma: Jamais leia o livro! Jamais leia o livro! Jamais leia livro. Não sei se é um filme bom, não sei se Anne Hathaway foi  massacrada por causa do sotaque britânico, não sei se todo mundo concorda que o  Dex é a cara do ator da novela das sete.  Só sentei no tapete do quarto  e vi o filme.

É possível que eu tenha escolhido uma má hora para assistir. Eu tava cansada, tinha acabado de chegar do trabalho, num dia em que tenho de trabalhar com uma turma dementadora - é botar o pé na sala de aula que  toda  alegria e disposição se esvaem, e eu nunca aprendi o feitiço do patrono, então... Só sei que terminei o filme com uma tremenda dor no estômago e querendo dizer pra Emma: " Sei como é! Sei como é!"


P.S.: Achei clímax  do filme clichezão e desnecessário. 

P.S.2: Dex é um idiota mesmo ou a babaquice é toda daquele ator cheio de cacoetes? Li em algum canto que Jim Sturgess defende o papel com destreza. Bem, eu passei o filme todo querendo dar um jeito naquela suposta malemolência. Que nervoso!




***
UPDATE: O livro é fofo e honesto. Concordo com o comentário da Fabi aí embaixo, o filme é idiota.

Ahhh, Dex é um babaca, mas também uma doçura.

E, de fato, vi o filme num dia ruim. O filme parece uma apresentação de power point.


terça-feira, 8 de maio de 2012

A crise do presente

Sábado passado, fui ao shopping de noite. Eu sei, eu sei, loucura! Mas eu fui, não posso mudar o que já passou. Bem, eu até queria poder voltar no tempo e não ir ao shopping no sábado à noite porque um formigueiro deve ser menos lotado. Enfim. Entrei no shopping e senti o desespero se abater sobre mim. O que essas pessoas todas estão fazendo aqui? Vão sair tomar pra chopp, gente! Vão pro parque com crianças, gente! Aí me lembrei que dia das mães está pertinho e todos estavam lá pra comprar mimos pras suas progenitoras. Menos eu.


Eu tenho um problema - um sério problema: não sei dar presentes. Quer dizer, a coisa é mais complexa. Eu até  sei escolher coisas simpáticas pra agradar as pessoas. A questão é que nunca me lembro de dar presente. É aniversário de Fulano? Ótimo! Vamos lá comer, beber, festejar, esmagar o fulano com muitos abraços. E o presente? Eu nunca lembro de comprar, de fazer, de encomendar. Não é que eu seja pão-dura. Quer dizer, até sou, pra mim, pros meus impulsos consumistas. Pra comprar coisas legais pra quem eu gosto, abro a mão com mais facilidade.  O problema não é presentear; o problema é a obrigação. É um saco ter de dar presente. Minha presença não basta? Quem sabe se eu aparecer no almoço do dia das mães ou no aniversário de alguém embrulhada em papel colorida e com um laço na cabeça?

A bem da verdade, meu grande problema nem é a obrigação.Tipo, não consegui encontrar presente, não dou e pronto. O meu grande problema de verdade é que estou cercada de excelente presenteadores. E mais: as pessoas adoram me dar presentes. Eu vivo ganhando presentinhos, ainda que o aniversário não seja meu, ainda que não haja qualquer motivo. Já houve amigo oculto em que ganhei o presente oficial, um presente da pessoa que tinha me tirado no sorteio cancelado e um presente da pessoa que havia me tirado no ano anterior. As pessoas viajam e trazem coisinhas pra mim ( justo pra mim, que nunca trago nada pra ninguém). E mais: eu ganho presentes muito legais. Legais mesmo! Saca só esse: um dos meus sonhos de infância era conhecer Salzburgo, uma cidade da Áustria, por causa de um livro que li. Daí que minha amiga foi passear por lá e trouxe pra mim um kit fofo. Eu teria me contentado com os relatos da viagem, mas fui agraciada com um mapa da cidade ( pro dia em que for lá! ), cartões postais lindos e um moeda comemorativa. Morri, né? E o máximo que eu já fiz foi trazer uma linguiça de Minas pra ela, entregue com muito atraso porque deixei a linguiça congelada e esquecida no fundo do freezer por um dois meses. 

Nem vou listar as muitas outras coisas legais que já recebi porque o sofrimento é muito grande. Como é que eu vou dar um par de brinquinhos pra uma pessoa que encomenda meu presente de aniversário com meses de antecedência ? Com que cara apareço com um sapato qualquer na festa de uma pessoa que monta um bauzinho cujo fundo vem estampado com as minhas  fotos favoritas? Eu já ganhei um sanduíche de mortadela embrulhado com muito esmero, gente! ( Ok, é um presente estranho aparentemente, mas ,dentro do contexto,  foi o mais legal que recebi.)Sacaram o meu drama?Onde vendem ideias simpáticas e fofinhas? Será que devo me afastar dessas pessoas criativas que conheço? Meu caso não tem solução!

P.S.: Eu tenho peninha da minha mãe. Ter uma filha só não deve ser legal nessa época do ano.