terça-feira, 22 de maio de 2012

É maio. Eu tinha esquecido que maio é maio. Maio quase me faz acreditar nas desvantagens de ter nascido numa tarde de junho e nos infernos astrais.  Maio nunca gostou de mim nem eu dele. Simples assim

Nos últimos tempos, tenho evitado o mimimi. Eu não reclamo,não a sério. Posso tagarelar sobre livros, receitas de batata rostie, manhãs de outono. Às vezes,  fico só calada. Silêncio e uma certa antissociabilidade são melhores que mimimi.Mas hoje eu me rendo. Preciso pedir cinco minutos de arrego. Meu notebook deu pau. Peguei uma gripe braba. Meu ouvido esquerdo tá doendo. A Oi inventou uma conta que eu me recuso a pagar. Recebi finalmente um e-mail mais que desejado. A resposta é Não. Uma outra resposta, igualmente esperada não vai chegar. Dei viagens perdidas.  Perdi o fio da meada pela milésima vez.

Hoje, cheguei em casa cansada, pronta pra levar a Amy pro banheiro e emular dores de cotovelo.  Meu coração tá inteiro (até demais ),mas música de amor bandido funciona bem pras dores de Maio.  Lavar o cabelo devolve o equilíbrio do universo.  Eu ia ser feliz essa noite. Mas não há limites pros efeitos dessa droga de mês na minha vida.

O  chuveiro tava com um probleminha;fui tentar consertar. Crec.Quebrei  o cano do chuveiro. 

Porque é Maio, vou dormir sem banho.

E publicar um post idiota totalmente recuado à esquerda.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Eu quero

Fiz esse post ontem usando o  aplicativo do blogger pra Android. Fiquei toda animada com a possibilidade de usar o celular pra postagens, mas logo veio a decepção: não dá pra deixar o post ajeitadinho, justificadinho. Ai, eu tenho um nervoso sem fim de textos recuados à esquerda. Ok, não tentem entender.  
Vim agora rapidinho ajeitar o post e dizer pra vocês que a Querência de hoje é minha. Vão lá no blog da Ju espiar o meu bloquinho foférrimo ( Lia, diz pra Cíntia que o presente dela ganhou o mundo!) e conhecer os outros bloquinhos lindinhos dos leitores do Batom de Clarice.

A Juliana do Batom de Clarice criou uma brincadeira bem legal. Ela pediu que os leitores mandassem  fotos de suas querências literárias. Eu topei a brincadeira.Não costumo anotar os livros que quero ler,então usei um bloquinho fofo que ganhei recentemente pra entrar na brincadeira da minha xará.

P.s.: acabei de descobrir o aplicativo do blogger pro celular e é com ele que estou escrevendo agora. Tentei linkar o blog da Ju no texto,mas não rolou.  De qualquer modo, o blog dela tá ali na "vizinhança".


Status: cocô do cavalo do bandido.

Sério mesmo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Chuchu

Vinicius tem 3 meses e  9 dias e é lindo. Um chuchu. Tento chamá-lo pelo nome dele, mas chuchu é a primeira palavra que me ocorre quando olho pra carinha dele. Chuchu, Chuchulino, Chuchubazento ou simplesmente Chuchu com Batata. O bom é que ele não tem a menor ideia de que estou associando a cara dele a um legume sem graça nenhuma. Quem nesse mundo gosta de chuchu?

E nessa de chamar Vinicius de Chuchu, acaba que todo mundo vira Chuchu também. Antes, as pessoas legais eram " meu bem". Agora, "chuchu" me escapole aqui e ali sem querer. Nessa de escapulir, apertei a mão do moço simpático da ótica que aturou minha vó na saga por óculos que não a deixassem com cara de coruja ( palavras dela) e disse: " boa tarde! Obrigada, Chuchu!". Onde enfiar a cara depois dessa?

domingo, 13 de maio de 2012

Genealogia


Toda uma vida como filha única me deu perspectivas que somente uma pessoa que não tem irmãos é capaz de entender. Quando criança, os filhos únicos são perseguidos porque se encaixam na categoria dos que, supostamente,foram abençoados com a felicidade suprema.  Irmãos são os representantes da Frustração, da Injustiça e da Disputa na terra; não tê-los, te torna um ser especial. As outras crianças têm a certeza absoluta de que a sua vida é melhor, que suas dores e lamentações são infundadas, que seus presentes são mais legais porque, afinal, papai e mamãe são só seus.

Conforme os filhos únicos vão crescendo, suas credenciais vão perdendo o valor distintivo e passam a ser apenas uma característica. Vez ou outra, suas colegas adolescentes podem lamentar o fato de você não ter irmão mais velho para que elas possam cobiçar, mas a hostilidade da infância não entra em pauta. Adultos, os filhos únicos e os filhos que compartilham os pais com outros filhos quase se igualam. Quase.

Eu não tenho irmãos, logo não terei sobrinhos. Não, não adianta dizer que vou ficar pra tia. Por virtude do nascimento do Vinícius ,as pessoas querem sempre saber se não sinto necessidade de filhos. Eu respondo que não, para o desespero dos que sabem o ano em que nasci. Aos 27, meus óvulos são taxados de ultrapassados, coitados. A pergunta mais assertiva a ser feita seria: " Você não sente falta de sobrinhos?". Aí eu diria aquele "sim" desejoso.  Sim, quero o que não posso ter. Porque sobrinhos de marido devem ser bem legais, filhos de amigos são crianças que você ama implicitamente, mas essas criaturinhas não  podem te dar a experiência de conhecer alguém que é filho daquela pessoa que cresceu no mesmo útero  ( e incluo aqui os úteros simbólicos) que você. Taí algo que um filho único nunca vai entender.

Adulta, tenho a apresentar apenas uma geração de primos pequenos, dois meninos e uma menina que está por vir. Primos pequenos costumam confundir a cabeça das pessoas ( todo mundo para pra montar mentalmente a minha ávore genealógica) , e , não, não dá pra transformá-los em sobrinhos fake. A bem da verdade, todo esse papo serve apenas pra  alcançar uma questão mais complexa. A menina que vai nascer muito em breve é filha da minha afilhada.  Nasci dez anos antes da minha afilhada e , por conta disso, nunca fui uma madrinha tradicional, mas, de qualquer modo, sei que a madrinha é uma mãe stand-by. Pois bem,  lanço, então, minha dúvida: se a minha filha stand by vai ter uma filha, isso signifca que em breve serei "vó-drinha"? Eis uma questão encafifante, não acham? Me deem uma equação com logaritmos e números complexos que eu resolvo mais rápido.

Tudo seria mais fácil se eu tivesse irmãos. Tenho certeza.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Filho e o @mor

Eu tenho uma obsessãozinha: o serviço de rastreamento de pacotes dos Correios.  Se tem alguma coisa a caminho da minha casa, estejam certos de que  estarei, todos os dias, duas vezes ao dia, no site dos Correios checando por onde anda o meu pacote. Hoje mesmo, já entrei lá . Há dois livros vindo pra cá, e eu gosto de achar que tenho controle sobre eles. Aliás, tenho usado bastante o rastreamento dos Correios nessa semana. Comprei pra minha amiga um exemplar de @mor e, pra mim, O Filho de Mil Homens. O primeiro é um livro delicioso, viciante, que te  faz querer que o metrô entre em pane só pra que você fique presa lendo. O enredo é simples : uma mulher envia um e-mail para o endereço errado, o destinatário do e-mail errado responde e , plim!, começa a relação de amor virtual mais maluca que eu já vi. Os protagonistas dessa história são dois doidos, te contar! Muita maluquice mesmo! Tive vontade de virar personagem só pra dar um soco nos dois! Vale a leitura! Já o outro livro merece uns parágrafos só pra ele, então vamos lá pro próximo parágrafo. 

(Antes do próximo parágrafo, a capa de @mor.
 Em Portugal, traduziram o título original, em alemão, como Quando Sopra o Vento Norte. Lendo o livro, esse vento norte faz todo sentido, mas eu adorei o título brasileiro.)


Estava lendo displicentemente a Bravo! desse mês, mais precisamente a reportagem sobre os novos nomes da literatura portuguesa, quando me deparei com essas palavras:

" Um homem chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho(...). Estava sozinho, os seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas."

Eu pre-ci-sa-va ler o livro que começa com palavras assim. Eu precisava muito. Larguei a revista de lado, entrei no site da Travessa ( comprem na Travessa, galera! Se der algum problema no seu pedido, uma moça esperta e fofa te atende por TELEFONE e resolve tudo. Confiem em mim!) e comprei O Filho de Mil Homens. Não quis saber quem era o autor, o Valter Hugo Mãe (ó o nome do cara!Rá!), não quis ler resumos e críticas sobre o livro. No fundo do meu coração, eu acreditei que Filho de Mil Homens seria um livro que me mataria de tanta beleza, portanto tratei de esperar que o carteiro viesse me entregá-lo. Bem, neste ponto do post, devo acrescentar que o fato de eu esperar o livro pacientemente se deve, em parte, à pessoa que traria os livros até mim. O carteiro aqui da rua, gente, é fofo! Fofo mesmo! Simpático, sorrisão, voz bonita. E eu morro de paixonite toda vez que ele chama o meu nome lá no portão. Um carteiro fofo torna a espera pelos pacotes menos dramática, eu acho. Bem, minha espera foi recompensada: o carteiro sorriu pra mim, e Filho de Mil Homens é um livro lindo.



Bem, quando falo que o livro é lindo, estou me referindo à única beleza a que tive acesso até agora, a beleza física. O livro é da Cosac Naify, aquela editora dos livros visualmente lindos, portanto   Filho de Mil Homens é um deleite pros olhos. Capa linda, miolo lindo, cheiro bom. Toda beleza do mundo. Tô apaixonada!Tô o cúmulo da superficialidade, julgando o livro pela capa! Do texto, só conheço os parágrafos  da primeira página. Bem, são parágrafos lindos também! É tanta beleza, tamanha é minha paixão à primeira vista que tô com medo de me decepcionar com os outros parágrafos. Não vou ler. Vou pendurar o livro no teto do meu quarto e olhar pra ele toda noite, antes de dormir.