quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Eu fui a Paraty esperando me apaixonar. Não rolou. Faltou química entre  a cidade com o chão de pedrinhas que fez calo no meu pé e eu. Em parte, a culpa é minha: mal cheguei de Foz e já estava na estrada de novo; meu corpo se ressentiu. Além disso, tivemos a sorte de fazer o pior passeio de barco de todos os tempos. Todo mundo diz que as quatro horas dentro da escuna poderiam passar muito rápido. Rá! André e eu contamos os segundos pra descer do barco e  nunca mais voltar. A combinação de comida cara e intragável mais um músico que não sabia as letras das músicas e ria das próprias piadas homofóbicas  detonou a nossa boa vontade. 

Pra ser ainda mais justa, fui na expectativa de encontrar uma Tiradentes com mar. Sei lá, a mesma arquitetura, as mesmas ruas de pedras... Paraty é bem diferente de Tiradentes, a começar pelo fato de ser uma cidade bem maior. Além do mais, Tiradentes é dos lugares que mais amo; uma comparação com Tiradentes nunca será justa, né?

O mais interessante nisso tudo é que, apesar de todos os atropelos, todas as fotos ficaram bonitas. Uma das fotos de que mais gosto,aliás, foi tirada no tal passeio de barco. Eu, putíssima, presa naquele barco, ouvindo aquele cantor destruir tudo que cantava,
e a foto linda, iluminada, divertida. Não confiem em fotos, gente! Mas é que Paraty torna qualquer foto boa de se ver. Êta cidade fotogênica!

Olhem só:









segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Fui ver Bethânia novamente - mesmo show, outra companhia. Cheguei certa de que sabia tudo daquele show lindo; sabia a ordem das músicas de tanto que vi e revi os vídeos de fãs na internet. Senti os mesmos arrepios, a voz embargou nas mesmas músicas. Fui pra reviver, pra me comover mais uma vez, pra renovar os sinais de beleza que Bethânia havia deixado em mim no ano passado.

Mas a gente tá nessa vida pra ser surpreendida; a vida taí pra mostrar pra gente quem manda. Ao final do show, no  bis, Bethânia agradeceu a nossa presença e disse que era uma honra cantar pras crianças ( o show foi em prol de uma instituição infantil). Aí aquela voz divina começou a cantarolar uma música que minha vó cantava quando  eu era menina- uma canção sobre Cosme e Damião. Minha vó era devota desses santos, distribuía doce no dia deles, como é tradição aqui no Rio de Janeiro. Minha vó morreu no dia 27 de setembro.

Bethânia cantou e eu não me aguentei. Uma coisa se rompeu dentro de mim. Durante aqueles segundos, estive em algum lugar delicado e indefinível.Durante aqueles segundos, fui de novo neta de uma vó viva. Foram segundos tão infinitos.





sábado, 15 de fevereiro de 2014

Estou demorando pra escrever sobre a viagem de Foz porque sei que não vou dar conta de dizer o quanto aqueles dias de janeiro foram bons. Tudo foi bom. Fui feliz todos os dias da viagem. Fui bem tratada, comi comida boa, dormi numa cama macia, fui testemunha de um casamento tão bonito, fiz coisas novas, dormi como não dormia há meses. Débora e eu tentamos descobrir um defeito pra essa viagem e só conseguimos  pensar no café da manhã nada brasileiro do hostel em que nós hospedamos. Café da manhã pra gringo: ovo mexido com leite, feijão com molho de tomate e curry e uma linguiça esbranquiçada. Irc! Fiz a bobagem de experimentar o feijão. Jesus! Só de falar o gosto ruim vem na boca. 

Todos os dias foram dias de deslumbre constante, porque há tanta coisa bonita pra se ver e uma consegue  ser mais incrível que a outra. Exemplo: você chega na cidade e vai logo conhecer o lado brasileiro das Cataratas. Você anda, anda e acha que nunca viu nada mais bonito que aquele tanto de água. Aí dá mais dez passos e um novo ângulo das quedas aparecem e você fica: meu Deus, meu deus, meu deus.   No dia seguinte, você vai no lado argentino e descobre que sim, ainda vai  dizer muitos ai-meu-deus! Primeiro achei que o passeio de barco( o macuco) era o ápice de tudo; depois tive certeza de que caminhar sobre o rio e ver as quedas de cima era o ápice. O que eu não sabia é que chegaríamos na Garganta do Diabo, a queda principal. Diante de tanta água, tanta grandeza, nem há o que se dizer. Haralan, o noivo do casamento que deu origem à minha viagem, disse uma coisa bem bonita sobre felicidade: pra ele, feliz é aquele momento no qual você poderia ficar pra sempre. A vista da Garganta do Diabo me fez sentir desse jeitinho que Haralan definiu. Eu, acostumada com o mar, até hoje não encontrei meio de descrever aquele tantão de água doce caindo, caindo. Débora, a melhor companhia que eu poderia ter nessa viagem, fez o comentario perfeito sobre as Cataratas: essa água  toda nunca parou de cair. Nem vale a pena pensar naquela imensidão toda! Meus olhos nunca tinham visto nada como aquilo. Eu poderia ter feito como a Phoebe e gritado My eyes, My eyes!


Ainda vou falar mais de Foz, de Puerto Iguazu, de Ciudad del Leste. Quero falar da experiência nova de ficar num hostel. Será que consigo fazer um post mais organizadinho? Vou tentar. Quero fazer aqui o que fiz com os amigos: dizer pra todo  mundo que é preciso ir nas Cataratas uma vez na vida. Não dá pra viver sem ver tanta lindeza de perto.

Por ora, fotinhos:
( fiz vários videozinhos das Cataratas. Filmei mais que tirei foto, mas ainda não consegui "subir " os vídeos. Estou me coçando pra mostrar o vídeo da Garganta do Diabo  pra vocês .)





quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um aluno escreveu sobre mim:
"Adorei a professora nova porque ela grita muito!"

O ano letivo só está começando.

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Eu peguei o buquê   do casamento da Annie e fiquei toda feliz. Sempre quis  pegar o buquê    de casamento. As lindas flores da Annie sucumbiram ao calor de Foz, mas eu as guardei bem guardadinhas mesmo assim. Antes de guardar, mostrei as flores esturricadas pra minha mãe. Ela achou legal que eu tenha pegado e tal, mas quis saber que sapato usei no casamento.
- Aquele de salto vermelho.
Ela riu e soltou essa:
- Ta explicado por que vc pegou o buque. Um salto daquele...

Tenho 1,69m de altura, o salto tem 12cm. Façam as contas. 

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Quero muito falar de Foz, das Cataratas, do melhor azeite do mundo, do hotel onde todo mundo era legal, da visita desastrada a Paraty, mas estou sem meu notebook. Sem notebook, sinto como se tivessem serrado minha mão direita fora. O celular quebra um galho, mas não é a mesma coisa.


Amei as Cataratas tanto, tanto. E hoje descobri que uma colega do trabalho esteve em Foz no mesmo período que eu. Ficamos um tempão conversando e dizendo que as cataratas do lado brasileiro são fantásticas, que as cataratas do lado argentino são ainda mais fantásticas, que a picanha argentina e o azeite argentinos são fantásticos. Fantástico foi a palavrinha do dia.

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Minha colega foi ao Paraguai sete vezes; eu fui duas e voltei com um rolo de macarrão de silicone vermelho, um hidratante incrível e um celular metido a besta. A história da compra do telefone metido a besta merece ser contada com mais calma. Por agora, quero  apenas registrar que esse celular da maçãzinha e só legal e ponto. Eu esperava pirotecnia e até agora só me encantei com os toques de chamada. Como um telefone cuja versão do whatsapp não tem emoticons pode ser legal?

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Vocês que moram sozinhos me digam: a solidão não mata vocês, não?

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A gente diz pras amigas: " se um dia  eu fizer uma merda como aquela ,por favor, me avisa!" Mas ez um pedido vazio, da boca pra fora. A gente só quer ser alertada sobre aquilo esta  previsto. Ninguém quer que alguém chegue e diga coisas com as quais  a gente não pode lidar.


Vou parar de repetir esse engodo. Não quero que me avisem de nada. Descubro sozinha. Se descobrir, melhor pra mim. Se não, azar o meu.






sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O ônibus quebra,  o moço no rádio diz que a Brasil tá parada, corre pro metrô. O metrô tá lotado, todos os táxis tão lotados, aí então um táxi para e motorista me chama de maluca quando eu digo o horário do meu ônibus. Considero dizer pro taxista que maluca é a mãe dele, mas, antes que eu possa me emputecer de verdade, o moço sorri e diz: " Vai dar tempo!". São  7h43.

Desço em lugar proibido, corro, tomo um tombo na porta da rodoviária. 7h51. Sobe escada correndo. Cadê o guichê? Cadê? É no primeiro andar. Desce escada correndo. Cadê o guichê? Cadê? Atrás da escada. Corre de novo. Moça, sua roupa está no chão! O quê? Um homem aponta pro meu pijama largado bem na entrada da Novo Rio. Ainda bem que não era o saco de calcinhas. Corre. Nem  dá tempo pra sentir vergonha. 7h57.

Encosto no guichê da empresa, meu pescoço dói, devo ter fraturado na queda, vou morrer. Não dá tempo de morrer. Moça, tem chance de eu retirar a passagem pro ônibus de oito horas? A mulher sorri, pega meu RG, vai imprimindo a passagem, vai avisando pro motorista que uma menina vai embarcar. Eu agradeço, saio correndo de novo, ignoro a cara feia do motorista e subo no ônibus. Tem um cara sentado na minha poltrona, mas eu nem discuto. Sento na poltrona 37, aperto o cinto, o ônibus sai.

Tô indo.

Sinto como se eu pudesse chorar por uns 3 dias sem parar.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. Foz  é legal demais, amanhã tem casamento, a companheira de viagem é  ótima, comi a melhor picanha da vida, a cama do hostel é melhor que a da minha casa, meu cabelo tá amando essa umidade. Mas têm horas como essa  em que escrevo que a tristeza vem. Tristeza por nada. Uma melancolia. Alguma coisa desencaixada aqui dentro.

Amanhã, vou acordar encaixada outra vez, eu sei. Por hoje, agora, queria minha casa. Eu deitaria na minha cama que precisa urgentemente ser trocada. Encostaria a cabeça no travesseiro metido à besta que minha mãe me deu.  E aí me daria conta de que aquela casa mudou, assim como a vida.Às vezes, a tarefa de reinventar essa vida sem minha vó pesa . O vazio que a morte deixa confunde a cabeça da gente. Nesse momento, eu queria o impossível: dormir sabendo que nada mudou.

Hoje eu queria ligar pra casa e contar pra minha vó que comprei um rolo de macarrão vermelho, muito legal. Ela entenderia por que fiquei tão feliz  com a minha aquisição. Queria que ela sentasse do meu lado da próxima vez que eu fizer joelhinhos e usar o rolo. Queria que ela reclamasse da bagunça da cozinha. Queria. Só queria.