segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sobre todas as coisas

Estou sentada no chão da minha casa nova, que nem é tão nova assim, porque eu já conhecia antes. A casa em que moro agora é também a casa da minha amiga que foi morar longe. O tapete em que estou sentada é o tapete dela, assim como quase tudo aqui. Estou num processo de apropriação do espaço. Ainda não me meti na tarefa de guardar o que não quero usar, o que tem a ver com a minha amiga e não comigo. Quer dizer, comecei ajeitar sim. Arrumei o banheiro, trouxe pra cá o meu pente amarelo, troquei a chave do chuveiro pra " sempre quentinho". Também comprei lençóis macios pra cama,  um travesseiro confortável. Ainda faltam vir meus livros e meus dvds. Falta também trazer Emma. Pretendo encher a casa de fotos; só tá faltando a coragem pra procurar porta-retratos bonitos. Que preguiça de comprar porta-retratos, toalhas, panela, comida! Continuo me alimentando basicamente de iogurte, laranja, biscoito, comida da escola e comida do restaurante do lado da escola.

Ando bem cansada. Tudo me cansa. Pra chegar em casa, encaro uma ladeira e umas escadas. Minha escola tem 4 andares. Tem sempre trânsito. Os alunos demandam muita energia. Então, tudo que faço é entrar em casa, tomar banho, comer e deitar na minha cama com lençóis macios e dormir. Tem dias em que não durmo, não consigo me aquietar. Tem coisa demais acontecendo: viagem que não vai mais acontecer, viagem que quero que aconteça, mais uma melhor amiga indo morar longe, planos pra festinha de aniversário, gente reaparecendo e por aí vai.  Quero aquietar a cabeça pra dormir, mas não consigo, então  converso no whatsapp com André e Tiago, ouço música no youtube, vejo vídeos sobre a melhor forma de passar delineador.

A vontade de escrever no blog aparece quando estou no metrô, então tento usar o aplicativo do blogger, mas, de uns tempos pra cá, acho que tudo que escrevo está truncado. Tal qual na vida, quero dizer, mas adoraria que alguém lesse minha mente pra poupar energia.  Alguém aí tem poderes telepáticos?

***

Passei o dia cantando essa delícia tristinha. Significa?


        (Vienna- Billy Joel)



sexta-feira, 16 de maio de 2014

O lençol


Eu tava lendo um site sobre transtornos de ansiedade - um site bem legal, aliás. Daí que o texto dizia que as pessoas com transtornos de ansiedade costumam ser assustadiças. Dei uma gargalhada alta. Como é que nunca me toquei disso. Eu sou uma pessoa assustadiça.

Acontece que dormi na minha casa nova, a casa do Rio, como costumo dizer. Essa casa tem um telefone fixo cujo número nem eu sei, logo não espero que o telefone toque, mas hoje ele tocou. Tocou alto e insistente e me acordou. Arregalei os olhos de susto, o coração disparado. Eu me assusto com telefones fixos, com o meu celular tocando no bolso, com os gatos andando no quintal, com alguém falando mais alto perto de mim. Vivo dando saltinhos e gritinhos, como uma mocinha de filme de terror. 

Há várias historinhas sobre como quase morri de susto, mas uma é clássica. Eu devia ter uns seis ou sete anos. Toda manhã, antes de sair pro trabalho, minha mãe vinha ajeitar minhas cobertas-também  sou conhecida por ser uma bagunçadora de camas. Pois bem, numa manhã dessas da minha infância, minha mãe pegou o lençol branco, ergueu no ar pra me cobrir, no exato momento em que eu abri os olhos. Em vez de ver minha mãe e um lençol, vi um fantasma - aqueles que são um lençol branco com dois buracos no lugar dos olhos. Gritei tanto, mas tanto que quase matei minha mãe de susto. Chorei de pavor quase a manhã toda. Nunca mais minha mãe botou lençol branco na minha cama.


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Hoje a ansiedade me venceu. Deitei na cama, fechei os olhos e precisei dos exercícios de respiração da terapia. Fazia anos que não precisava deles. Hoje não deu.

Não sei como vocês tão aguentando esse mundo. Vocês também tão apavorados? Todo dia uma dureza. Não sei se vocês, mas eu vivo com medo: da morte, da polícia, dos assaltos, dos linchamentos físicos e morais, dos discursos de ódio, do racismo, da homofobia, da injustiça, da intolerância, da ignorância, dos mecanismos que perpetuam tudo isso. Faço um esforço pra não ser derrotista, conformista. Me recuso a dizer que o mundo é mesmo assim e não tem jeito. Mas tem dias como os de hoje em que você queria muito estar em outro tempo, em um outro lugar, porque o presente pesa e cansa. 

Hoje tô com raiva do mundo. Tô com raiva de quem acha que grevista é vagabundo, que professor tem que trabalhar por amor, que o ensino da escola pública é ruim porque os alunos não querem nada e os professores não se esforçam, que não tem nada demais motorista de ônibus cumprir dupla função, que ser chamado de macaco não é ofensa, que tirar foto com banana acaba com racismo, que a sexualidade alheia deve ser rotulada e condenada, que meninas de 12 anos provocam homens adultos, que não estranham que os pretos são a maioria nas cadeias, que reproduz sem tirar nem por o que a tevê diz, que não fica indignado. 

Hoje, no meio do dia Tiago me  mandou procurar a tradução da música Si, da cantora francesa Ziz. Tive uma crise de choro ao ler, porque, né, é isso, tudo isso:



Se eu fosse amiga do bom Deus
Se eu conhecesse as oraçõesSe eu tivesse sangue azulO dom de apagar e refazer tudoSe eu fosse rainha ou feiticeiraPrincesa, fada, grande capitãDe um nobre regimentoSe eu eu tivesse o passo de um gigante
Eu colocaria o céu na misériaTodas as lágrimas no rioE floriria areiasSobre onde a esperança voariaEu semearia utopiasCurvar-se seria proibidoNão desviaríamos mais os olhares
Se eu tivesse milhares e centenasO talento, a força ou os encantosMestres, poderososSe eu tivesse as chaves de suas almasSe eu soubesse pegar em armasAo fogo de um exército de titãsEu acenderia chamasNos sonhos apagados das criançasEu poria cores nas doresEu inventaria o édenSem contar com a sorteSem contar com as estrelas, com menos do que nada
Mas não tenho mais que um coração em traposE duas mãos esticadas feito galhosUma voz que o vento afasta pela manhãMas se nossas mãos nuas se parecemNossos milhões de corações juntosSe nossas vozes se unissemQuais invernos a elas resistiriam?
Um mundo forte, uma terra alma-gêmeaNós construiremos sobre as cinzasPouco a pouco, migalha a migalhaGota a gota e coração a coração
Pouco a pouco, migalha a migalhaGota a gota e coração a coração

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Respeitável público

 
" Não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão
Sustenta a vida real"




Se você mora ou  vem ao Rio de Janeiro, me faça um favor: vá ao teatro ver a montagem de O Grande Circo Místico.  Coisa mais linda, de verdade, sério mesmo!

domingo, 11 de maio de 2014

Adoro isso de mudar de ideia, de não ter certeza, de sentir o coração disparar enquanto conta pra amiga a ideiazinha maluca que você teve.

***
Agora eu tenho uma cama de gente grande.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Pipa avoada

Quem são essas pessoas que AMAM planejar viagem? Onde vivem? Que genes especiais têm? E principalmente: por que não estão aqui sentadas do meu lado, lendo trezentos blogs, falando com a amiga no Skype enquanto convertem moedas?

Não nasci pra planejar viagem. Nasci pra entrar no avião e ir. Só ir.

E minha companheira de viagem é igualzinha a mim. Estamos levemente apavoradas.