sábado, 5 de julho de 2014

Presente

Quando menina, eu queria algumas coisas, dentre elas: ficar presa num ônibus no meio de uma avalanche e conhecer Salzburgo. Tudo por causa desse livrinho:



Um ônibus do tamanho do mundo foi o livro que mais reli durante a infância. Escrevi muitas histórias depois das releituras porque queria inventar uma história como aquela eu mesma. E isso é bonito em livro, né: essa vontade que desperta na gente de ter um pouco daquele poder de criar.

Em junho agora, quase realizei esse desejo de menina. As burocracias, no entanto, me fizeram colocar o desejozinho em stand by, mas aí veio meu aniversário, veio o André e Salzburgo tá de novo pertinho de mim.

Agora vou reler o meu livrinho. Será que tem chance de cair uma avalanche de neve no Rio de Janeiro? 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Meu namorado

Ouço e os cabelinhos do braço ficam tudo de pé:

A versão incrível da Carminho


A versão original da Simone


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Beijo, Balzac!

Tenho uma idade nova. Agora tenho 30. Já me perguntaram como é ter 30, e eu respondi a verdade: não tenho a menor ideia. Faz menos de uma semana que mudei de idade. Por enquanto, posso dizer que 30 é melhor que 29; eu detestava 29 -  é um número antipático. Já me perguntaram também se a crise dos 30 me pegou, e eu respondi que até agora não e nem tô esperando que ela chegue. Se eu tivesse que falar algo sobre os 30 anos, diria aquele clichê de que " estou muito melhor hoje do que aos 20". Um ótimo clichê, uma verdade no que diz respeito a mim. Aos 20, eu era milhões de vezes mais insegura, mais cheia de manias, tinha os ovários cheios de cistos, sofria de ansiedade generalizada e não sabia, não tinha dinheiro pra nada. Dez anos depois,  não sou nem de longe um modelo de sucesso nem aquilo que eu imaginava que seria aos 30 anos, mas tô bem, tô mais em paz com a rotina,  viver cansa e dói menos - ou talvez eu tenha me acostumado com o fato de que a vida dói mesmo e ponto. Aos 30, faço menos mimimi, eu acho.

No mais esse aniversário, foi exatamente como os outros. Quer dizer, foi não. Dessa vez, passei parte do dia dormindo ( e babando) no banco traseiro de um carro, voltando de Minas. E no domingo,  teve festa junina, o tipo de festa que eu jamais pensei que faria. Foi um arraiá bom, do jeito que eu espero que as festas sejam: com as pessoas que realmente importam e comida boa.











E como eu sou mimadíssima, não tive nenhum trabalho pra que essa festa acontecesse. Minha prima organizou tudo, minhas tias e minha mãe cozinharam, meus tios assaram o churrasco, Sueli se juntou à minha prima na decoração, Fabrício estendeu bandeirinhas e fez o bolo de aipim mais disputado. A minha única contribuição foram as plaquinhas pra identificar a comida, com suas bandeirinhas mal desenhadas.

Ahhh, claro, preciso citar ainda que esse aniversário também foi diferente porque tive a honra da presença ilustre do Felipe. Uma pessoa da internet na minha festa, gente! hihihi

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Melhor lugar

Eu ia pro Chile, mas desisti. Ia pra Lisboa, mas o passaporte não saiu a tempo. Então vim pra cidade mais delicada.






O tanto que amo Tiradentes, gente!


domingo, 22 de junho de 2014

A beleza

Acabei de descobrir essa mulher e ainda não consegui tirar o queixo do chão e enxugar as lagriminhas:



Lendo Sobre a Beleza





Eu andava à caça de um livro daqueles que prendem a gente; acho que encontrei. Fui na livraria pra comprar um presentinho de aniversário, saí de lá com Sobre a Beleza, da Zadie Smith. Já tinha lido qualquer coisa sobre esse romance, mas o que me fez comprar foi o precinho, 13 reaizinhos. Comecei a ler no trem, indo pra Nova Iguaçu. Deu uma má vontade no início, porque tem uns e-mails que o rapaz manda pro pai, depois tem uma cena meio insólita na casa do rapaz do e-mail, enfim, não tava um início legal. Cheguei em Nova Iguaçu, fui fazer compras com minha mãe e minha prima, me estressei ( odeio bater perna! Odeio!), deu dor nos pés, minha garganta não tava boa, me encostei num canto da loja e fiquei lendo. De alguma maneira, me acostumei ao estilo detalhista da escritora e me vi grudada no livro. As compras podiam durar a eternidade depois daquele momento em que o livro me pegou, mas, claro não duraram.

Daí que hoje de tarde, voltei pra casa de metrô,o livro e eu voltamos. O vagão cheio de gringo tagarelando, um cara cantando funk (cantava bem à beça), umas pessoas meio putas com aquela barulheira e eu lendo. Desci, fui pro ponto esperar o ônibus, que demoooooora.  Pego esse ônibus todo dia e todo dia faço uma promessa pra vários anjos de guarda pra que ele venha rapidinho - funciona, às vezes. Hoje, não prometi nada; sentei no banquinho do ponto e abri o livro. Vejam bem, a tal da Zadie Smith é tão boa que eu esqueci que tava esperando ônibus numa rua deserta do Centro do Rio e achei que tinha me teletransportado pros EUA, pra festa na casa da Kiki e do Howard. Ah, me deixem explicar quem são eles. Howard é um professor universitário reclamão, Kiki é a mulher dele. Os dois são casados há 30 anos, têm 3 filhos e levam uma vida abastada e americana. Howard tem um "rival", um professor renomado e conservador, que está de mudança pra vizinhança e pra universidade onde ele trabalha. A rivalidade e um breve romance entre os filhos de Howard e do colega parecem ser a força motriz do livro. Digo " parece" porque estou na página 150 - são mais de 400. Até agora, tô adorando. Adorando tanto que não prestei atenção nos ônibus que passavam e peguei o primeiro que pareceu familiar.

Peguei o ônibus que passa pertinho do meu trabalho; de vez em quando  venho pra casa nele. Entrei, sentei e abri o livro. Tava tranquila, conhecia aquela rua ali à direita, depois aquela à esquerda, voltei pras bodas de 30 anos do Howard e da Kiki. Quando ergui os olhos novamente... epa, peraê, que rua é essa? Eu já tava no bairro vizinho. Fiquei esperando que o ônibus virasse uma rua qualquer e  fizesse o caminho pra minha casa. Não fez. O ônibus circular tava indo pro bairro onde fica a escola em que trabalho, e não voltando de lá. Quando dei por mim, estava passando em frente ao Maracanã, vendo os turistas tirando fotos, mais adiante a Mangueira - e eu sem ter ideia de onde descer, de que ônibus poderia pegar pra voltar. Acabou que fui parar perto do meu trabalho. Desci, peguei um ônibus conhecido, mas dessa vez deixei o livro fechado. Era melhor não arriscar, né?

Tomara que o livro continue legal!


quinta-feira, 19 de junho de 2014

Playlist feliz

Estou há 4 horas com o notebook no colo, baixando músicas pro meu aniversário. Faço 30 anos semana que vem e vai ter uma festa. Se eu deixasse por conta da família, seria um novo baile de debutante, então  fiz zvaler minha fama de difícil  e consegui transformar a festança numa festinha pros meus poucos amigos, meia dúzia de convidados, um churrasco pro almoço, uma festinha junina na hora do chá. Estou ansiosa como sempre, achando que não vai ninguém. Todo ano o mesmo drama: chega junho e eu começo a questionar essa minha personalidade de falsa extrovertida, que nunca poderia dar festão por falta de convidados. Passo o ano inteiro bem satisfeita com a minha meia dúzia de melhores amigos, mas no aniversário vem a crise. Esse ano, ao menos, me fingi de adulta e poupei os amigos do drama. Mas, aqui no fundo, o medo de sempre já se instalou: não vai ninguém, não vai ninguém, não vai ninguém. Dessa vez, tenho até uma certa razão: duas das minhas melhores amigas vão estar mesmo longe, em outros continentes.

Pois bem, sentei pra baixar músicas felizes pra festa, mas acabei me dando conta de que não sei o que é isso. Só ouço coisinhas melancólicas. Música agitada me irrita um pouco, e a tristeza é quase sempre tão bonita. Eu ouço música pra deitar no chão da sala e chorar. Ouço música  de amor delicado, de despedida; quanto mais manso, melhor soa nos meus ouvidos. Mas eu tô aqui pensando em animar uma festinha, tive que deixar a melancolia de lado.

Por enquanto, tem funk carioca das antigas:

Adoro Mc Marcinho!

Tem uma Bethânia pra cirandar:
Passaria um dia inteiro só cantando essas músicas com ela.



Tem música que minha vó cantava pra mim:
Quando eu era menina, meu sonho era conhecer uma Lia e cantar essa música pra ela.
Lia, pra você!


Aceito dicas de músicas felizes pra churrasco e festa junina.