Eu faço um curso de inglês e pago muito caro pra isso. Até então, só tinha estudado com uma professora, que não acho muito didática, que exige muito, mas uma boa professora. Gosto muito do método do curso, sinto que tô aprendendo e tal. Daí que trocaram o horário do meu trabalho e eu já não consigo chegar a tempo na aula. Solução: trocar de horário.
Vou até começar um novo parágrafo pra falar do novo horário. A professora se faz de engraçadinha: péssimo, mas ok. A professora usa o alarme do celular pra saber quando a aula termina e programa pra meia hora mais cedo: péssimo, mas ela pode ser apenas maluca.A professora grita: péssimo, mas quem sou eu pra julgar alguém que trabalha berrando. A professora escreve tudo que fala no quadro: péssimo, a metodologia do curso não é essa, mas vai que foi um pedido da turma. A professora diz que uma palavra exaustivamente citada no nível anterior não existe: péssimo, mas ela pode estar com amnésia temporária. A professora pronuncia as palavras que já conheço de um modo muito diferente do ensinado pela outra professora: péssimo, mas pode ser que minha audição esteja prejudicada pelo meu cabelo que cresceu e tampa minhas orelhas.A professora diz que se você tem "forty years" não precisa dizer "year" no plural porque a regra de plural não se aplica a palavras relacionadas à idade: o mundo parou um pouquinho por 3 segundos, nós alunos nos entreolhamos, alguém riu chocado. Só não levantei e fui embora porque morro de vergonha de largar um professor, ainda que péssimo, falando sozinho.
Resumindo um pouco a história pra não cansá-los, porque o horário do curso de inglês tem sido uma saga, voltei pra minha turma anterior. Prefiro chegar atrasada a ouvir asneiras, né? Descobri depois que os alunos da turma já reclamaram mil vezes, mas a direção está tratando a situação como se fosse um capricho de aluno. Sim, uma turma inteira de alunos caprichosos! Quando fui desfazer a troca, uma dessas caprichosas quase me abraçou quando ouviu que eu não ia permanecer na turma. Pediu que eu reclamasse com a coordenadora, que eu- elemento estranho na turma- reforçasse o que eles já tinham dito. A coordenadora não gostou quando eu disse "sem condições" umas três vezes e pediu licença pra atender o telefone quando a moça da turma de caprichosos contou a nova regra de plural que a professora nos ensinou.
Tem sido essa a minha vida no último mês, minha gente! Todo dia, todo dia mesmo, tendo que lidar com a incompetência e arrogância de empresas que tão recebendo muito dinheiro pelo serviço que prestam. É que ainda não contei das sagas dos meus novos óculos, da internet, do banco... Tô preferindo evitar a fadiga

