1. A Igreja do Bonfim não fica no alto de um morrão e a escadaria não tem 37543 degraus. Fiquei meio decepcionada, viu! A igreja não foi feita pra me agradar, eu sei, mas,sei lá, esperava... Ah, não sei... Desculpem, baianos!
2. Aliás, baianos!!! Ah, os baianos... Antes, eu achava que os mineiros eram as melhores pessoas. Agora, tô sendo obrigada a rever minha opinião e dividir o título com os baianos.
3. Aliás, comida baiana! Como é que eu vou viver sem acarajé? E nem venha me dizer que tem acarajé no Rio, porque, né, amiguinhos, não, não, não. Quero acarajé da Cira na esquina da minha casa já. Quando eu chegar no Rio, tenho fé de que uma barraquinha estará montada bem pertinho do meu portão. Acarajé que faz crec na hora que a gente morde e com muita pimenta.
4. Aliás, pimenta! Maeve e Emily, baianas legítimas, já atestaram que posso requerer minha cidadania soteropolitana. Passei no teste de baianidade: pimenta, pode botar pimenta. Ai, pimenta! Também fui aprovada com certa moral no outro teste de baianidade: o dendê pesou no estômago, mas não me desarranjou. Desculpa, mas tenho que dizer: arrasei, nem!
5. Aliás, eu já nasci aprovada nesse teste aí. Eu amo farofa, tenho um ranking de farofas favoritas, como farofa com macarrão, só de falar a palavrinha a boca enche d'água. Soteropolitanos comem tudo com farofa. Soteropolitanos comem uma das minhas comidas favoritas da galáxia, bobó, com farofa. Eu achei que estava morta e tinha chegado ao paraíso quando misturei a farofinha de manteiga num bobó escandaloso.
6. Aliás, na minha infância, havia duas comidas recorrentes. Uma era fantástica, o bobó. A outra não nada fantástica: angu à baiana. No Rio, no nosso inverno fake, as pessoas tomam caldos pra esquentar. Você pode chegar numa barraca de caldos e pedir angu à baiana tranquilamente. Passei toda a vida achando que angu era comida baiana, aí chego em Salvador e Maeve nem sabe o que angu. Ontem, no caminho pro Bonfim, conheci Seu Roque. Perguntei o intinerário do ônibus pra ele e, pronto, ganhei companhia pra viagem todas. Seu Roque morou uns meses no Rio e queria saber que embuste é esse de angu à baiana.
Quem mais aí não sabe o que é angu? É um creme salgado de fubá, é a polenta antes de endurecer. Se for à baiana, a gente come com sarapatel, que no Rio a gente chama só de miúdo mesmo.
7. Eu ia dizer " aliás, nome de comida", mas taí assunto que merece um post, três livros, quatro artigos sobre variação linguística. Vou dizer então: " aliás, Rio!"porque nascer no Rio é uma credencial e tanto por aqui. Eu abro a boca e as pessoas sorriem. Querem saber em que bairro eu moro, pra que time torço. Conhecendo ou não conhecendo a cidade, as pessoas já dizem que amam e meio que te amam também. Tenho vontade de dizer que o Rio nem é tão legal assim, mas fico só na vontade porque ser amada gratuitamente é muito bom.
8. Aliás, amor! Tô indo hoje pra outro lugar lindo da Bahia que todo mundo duz que vou amar. Eu acredito, mas meu coração tá aos pedaços. Não vai ser fácil viver sem Salvador.
Acho que conheço lugares tão ou mais bonitos quanto essa cidade; não se trata só de beleza... Ai, ai... Salvador, ó, é puro amor. Não encontro outra definição.
Como sempre, Caetano tem razão: "quem vem de lá/ sente saudade"
Mas eu volto!



