Uma coisa que eu não faço nessa vida é confiar no que me dizem. Até acho que devia, mas não consigo. É muitíssimo mais forte do que eu. Não é que eu ache que as pessoas todas são horríveis e desonestas. Não acho mesmo. A questão é que afirmações cheias de certeza podem estar baseadas em dados que não foram questionados, verificados. Um exemplo: nunca acredito num relógio que não seja o meu. Esqueço o relógio de pulso, celular está descarregado, preciso saber a hora, pergunto pra uma pessoa qualquer que estiver por perto, claro. Registro a hora que ela me disse e vou atrás de um outro relógio pra ver se a informação bate. Você pode pensar que é um desperdício de energia. Não é. Vou contar uma história pra ilustrar meu ponto de vista, mas no próximo parágrafo porque senão esse vai ficar enorme.
Eu pego no trabalho em horários que variam entre 7h30 e 9h30. Isso significa que eu durmo um pouquinho mais ou um pouquinho menos conforme o dia da semana. Na terça-feira, eu entro 8h20, então acordo 6h45, saio 7h30, tudo no esquema. Daí que houve uma terça em que segui o esqueminha certinho, mas, ao chegar na esquina da escola, saquei que tinha algo errado. Havia umas crianças na calçada. Ué? Às 8h20, estão todos na sala de aula. Entrei na escola e o clima estava errado: nenhum sinal de agitação, nenhum movimento. Entrei na sala dos professores. Mais silêncio. Uma das minhas colegas estava sentada, preguiçosamente, mexendo no celular. Ué, ela não devia estar na sala de aula? Peguei meu celular. 7h20. Virei pra colega e perguntei a hora. 8h20. Arregalei os olhos. Não era possível. Levantei confusa e fui na secretaria olhar o relógio da parede. 7h20. Meu deus do céu! Me senti tão maluca, tão perdida. Eu costumo ser muito perdida a maior parte do tempo. Jamais sei a data ou o dia da semana. Tô acostumada. Não me orgulho, mas tô acostumada, Mas ser enganada pelo meu próprio celular já é demais. Pior sensação da vida você viver em um fuso horário particular. Pois bem, imaginem agora se alguém tivesse me perguntado a hora no ônibus. Eu diria a hora errada e essa pobre pessoa poderia tomar decisões ruins baseada nessa informação. Ou pior: poderia duvidar da própria capacidade de perceber o tempo, Ué, saí de casa 7h e já são 8h?! Seria uma tragédia gigantesca. Por isso que eu não acredito no relógio das pessoas.
Cês podem estar aí pensando: ô, Juliana, deixa de ser exagerada! Se alguém tivesse te perguntado a hora, a pessoa teria percebido que a informação tava meio estranha e você poderia ter dado uma olhadinha num desses sites que informam a hora certa. Sim, vocês têm razão. Tenho que concordar. Mas, ó, se a pessoa pra quem eu perguntar a hora for igual a uma conhecida minha que tá sempre com o relógio 20 minutos adiantado? E esse sempre é tão sempre que ela esquece e acaba te dizendo a hora sem explicar o pequeno detalhe do muitos minutos a mais. Fico nervosa só de imaginar. Não, prefiro continuar não confiando no que as pessoas dizem.
P.S.: Eu comecei esse post querendo falar de A e acabei falando de G. Vou guardar A pra outra ocasião. Só espero que eu tenha usado o tom certo pra que vocês não fiquem preocupados comigo. hihihi
